segunda-feira, 5 de junho de 2017

Robert Edwards - Compreendendo o Fascismo

Cartaz italiano da década de 1930 (1)
Por Robert Edwards

No século XX nenhum conjunto de idéias foi mais vilipendiado e mal-compreendido do que o do fascismo. O fascismo do pré-guerra foi representado, através das maquinações da mídia social-democrata e de inúmeras obras de comentário político, como um sistema político baseado na opressão reacionária... a antítese de tudo que é bom e necessário para o progresso humano. No presente momento parece que suas origens têm sido ignoradas e ele agora é empregado como um epíteto abusivo para o propósito de difamar oponentes políticos, a maioria dos quais não o merecem. Um grau de culpa reside na perpétua polarização da política em batalhões de "esquerda" e "direita", na qual todas as tonalidades de pensamento político são consideradas apenas nesses termos simplórios.

O propósito desse artigo é explorar as razões pelas quais o fascismo não se encaixa convenientemente dentro do espectro da política "ortodoxa" e demolir os equívocos vigentes. Primeiramente, é um erro imbecil considerar o fascismo autêntico como reacionário ou "direitista". Em verdade, os principais protagonistas do credo fascista na década de 1930, Benito Mussolini e Sir Oswald Mosley na Grã-Bretanha, eram originalmente da esquerda socialista. Na Espanha, José Antonio Primo de Rivera, o líder falangista, após seu encarceramento pelos Republicanos antes da Guerra Civil, conclamou seus seguidores na Falange Española a NÃO se unirem aos conservadores tradicionais e ao Exército. Muito após a morte de Primo de Rivera, o movimento falangista foi diluído por Franco e quaisquer vestígios do velho espírito revolucionário foram erradicados de modo a agradar a Igreja Católica e as Forças Armadas. Na era pós-guerra, Juan Perón assumiu poder na Argentina quase inteiramente com o apoio dos trabalhadores que são geralmente considerados como o núcleo da Esquerda. Consequentemente, seu tipo de fascismo era muito similar ao nacional-socialismo puro de Gregor Strasser no sentido de que era baseado no proletariado. Em absoluto, o fascismo autêntico tinha muito pouco em comum com o conservadorismo tradicional e com tudo que é englobado pela "Direita", na medida em que seus expoentes eram homens comprometidos com um novo mundo de reformas sociais e econômicas em larga escala.

(esquerda para direita) Juan Perón, presidente argentino em 1946, o espanhol Primo de Rivera e o líder inglês Sir Oswald Mosley

Para ser apropriadamente compreendido, o fascismo tem que ser visto dentro do contexto daquele período após a Primeira Grande Guerra. O fascismo foi o produto do horror de 1914-1918. A erupção de 1914 foi a consequência de uma doença profundamente enraizada. A aparente tranquilidade do mundo civilizado era uma camada muito fina sobre forças ferventes, ocultas. A fé do Século XIX na ideia de "progresso" havia enfeitiçado o homem europeu com um falso senso de segurança. A Primeira Grande Guerra, veio como um grande choque e seus efeitos foram espiritualmente devastadores já que a grande era do "progresso sem fim" foi dramaticamente finalizada. Aquela guerra substituiu o otimismo com pessimismo e, consequentemente, liberou tudo aquilo que fervia sob uma velha ordem em seus últimos estertores. Após isso nada mais era garantido e o espírito da Europa foi lançado em confusão. O velho mundo falhou e o novo mundo da social-democracia não ofereceu quaisquer certezas reais. Aqueles mais traídos por estes eventos foram os soldados dos fronts que haviam testemunhado a insanidade da carnificina desnecessária e haviam, então, retornado a outro mundo de políticos prevaricadores que careciam da visão e da coragem de construir uma "terra digna de heróis". A partir das trincheiras nasceu o fascismo. O soldado conhecia a importância da união e da ação e trouxe isso com ele para o reino da política revolucionária.

Duas realidades históricas que afetaram grandiosamente o hemisfério Norte na época. Foto 1: Trincheira do exército alemão na Europa durante da Primeira Grande Guerra (1914 - 1918)

Foto 2: fila de desempregados em bairro de negros à frente de um cartaz de propaganda de automóveis nos Estados Unidos da América, 1929

O fascismo foi indubitavelmente revolucionário. Ao mesmo tempo diferia da "esquerda" e, particularmente, do marxismo em muitos aspectos vitais. Era anti-materialista e não envolvia um rompimento cataclísmico com o passado histórico do homem. As posições filosóficas do fascismo e do marxismo era as mais distintas. Como é sabido, o marxismo é intolerantemente e rigidamente dogmático. Comunistas muito austeros são inextricavelmente ligados ao evangelho de Karl Marx, aos comentários de Lênin e às máximas do "determinismo econômico", não deixando nada para o livre pensamento e observação empírica. Por outro lado, o fascismo estava liberado de dogmatismo e sua filosofia era uma de pragmatismo, ou seja, ele simplesmente perguntava se uma noção particular poderia ser usada e colocada para funcionar nos interesses da Nação. Fascistas, como soldados, não permitem que suas mentes se cristalizem ao redor de quaisquer fórmulas mais simplesmente as utilizam como hipóteses funcionais que, no evento de se tornarem prejudiciais, são facilmente descartadas. Esse pragmatismo dinâmico era a principal característica do fascismo e seu gênio. Com essa filosofia o fascismo liderou uma revolta contra todas as formas de idolatria frasal e sentimentalidade inútil que são todas inibidoras. As abstrações teóricas da social-democracia, "liberdade", "igualdade", e "direitos inalienáveis", foram atacadas pelo fascismo simplesmente porque eram abstrações. Elas eram palavras sem qualquer importância concreta e desprovidas de significado. Elas são usadas como objeto de adoração e, portanto, previnem a objetividade e o pensamento criativo. Dentro do contexto fascista o conceito de "direitos" possuía significado apenas quando conectado com serviço e dever, e assim o fascismo emergiu como uma revolta contra o culto das irrealidades para se tornar a força pelo realismo pragmático consistente com a nova era da ciência.

O Estado Corporativo foi uma tentativa de unir as muitas facções dentro da sociedade para o propósito de realizar o ideal da Nação Orgânica completamente abarcadora. Pôs um fim ao seccionalismo enfatizando o papel de indivíduos e organizações dentro do novo aparato estatal. O Estado Corporativo foi o catalisador para todos os elementos dentro da Nação, a reconciliação última das facções beligerantes, para a tarefa digna de construção e de alcançar ideais cada vez maiores. Longe de ser uma opressão, esse tema central da fé fascista considerava que apenas quando a Nação fosse livre de conflitos internos entre seus vários elementos, classe contra classe e capitalista contra trabalhador, poderia haver verdadeira liberdade para todos. Uma Nação que não é livre não pode dar liberdade ao povo.

O fascismo não era nem de "esquerda" nem de "direita", mas sim uma síntese de ideias acima daquelas que existiam. 

"Combina o impulso dinâmico para mudança e progresso com a autoridade, a disciplina e a ordem sem a qual nada grande pode ser alcançado" - Sir Oswald Mosley em "The Greater Britain".

Naquela frase pode-se detectar dois sentimentos que, quando ideias separadas, são de pouca relevância. A ideia de progresso, como Mosley explicou, é considerada como pertencente à esquerda enquanto a tradição da ordem é considerada como pertencendo à direita. Progresso não pode existir sem ordem ou estabilidade... e estabilidade não pode existir sem progresso e a necessidade de se adaptar a um mundo mutante. Separados eles trazem caos em um mundo onde ação é necessária. A síntese fascista, com realismo característico, era a única alternativa.

A acusação de que o fascismo era coercitivo é um daqueles equívocos trágicos que apenas servem para ilustrar o ódio e amargura daqueles que desprezam o heroico e visionário. O falatório sobre "ditadura" emana de pessoas que preferem a inércia cataléptica da social-democracia em contraste com a vontade dinâmica de ação do temperamento fascista. O termo "ditadura" não é sempre sinônimo com coerção. Por seu uso da palavra "ditadura" Mosley interpretou isso como "liderança" e na década de 30 ele explicou, 

"o fascismo não é ditadura no velho sentido daquela palavra, que implica governo contra a vontade do povo. O fascismo é ditadura no sentido moderno da palavra, que implica governo armado pelo povo com poderes para resolver problemas que o povo está determinado a superar". 

De modo a funcionar e dar certo o fascismo dependia da vontade do povo; sem aquela vontade não haveria Nação Orgânica. Nesse contexto o fascismo desviava do socialismo esquerdista no sentido de que a essência da ação fascista era baseada na liderança e na iniciativa e, na prática, era vista como sendo a liderança do povo com seu consentimento popular. Não tinha nada a ver com os controles castradores do socialismo nesse sentido, ao invés, o fascismo tendia a liderar e apenas intervir quando alguma seção ameaçava os interesses do todo orgânico.

A tragédia do fascismo foi que não lhe foi dada a chance de florescer. Uma segunda guerra desastrosa com toda a histeria e propaganda nublou a maior parte da verdade. O fascismo deve ser lembrado por seu dinamismo, seu heroísmo e sua visão durante um tempo em que algo novo era desesperadamente necessário para salvar o homem da auto-destruição. O fascismo encarou os fatos do mundo pré-guerra; e agora nós encaramos os fatos de um mundo que tem mudado muito rapidamente. Que nova força para o futuro pode inspirar esperança da mesma maneira que fez o fascismo tantos anos atrás?

NOTA: grifos e estruturação feitas pelos autores do site sem perder o conteúdo nem sentido do texto.

(1) - Foto de destaque: cartaz propagandístico feito pelo Ministério da Defesa Nacional Inspeção-Geral do Trabalho conclamava o operariado (povo e força de trabalho) a edificar a pátria italiana. O fascismo italiano de Benito Mussolini foi um dos mais conhecidos e expressivos governos fascistas e também mais lembrado até hoje. Apesar da forma deturpada

Fonte: Legio Victrix

Artigo disponível na sessão: História Geral

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Um comentário:

  1. Mateus 07:16 PELOS SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS http://www.erf.de/data/files/content.sources.cina.cartoons/407978.jpg

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