terça-feira, 25 de agosto de 2015

Padre Balduíno Rambo - em busca da grande síntese

Padre B. Rambo

Balduíno Rambo nasceu em 1906 no distrito de Tupandi-RS, filho de Nicolau Rambo e Gertrudes Vier - NR. Estudou Filosofia em Pullach, Alemanha. Foi padre, tendo pertencido à Ordem dos Jesuítas. Foi responsável pela criação do atual mapa cartográfico do Brasil. Foi professor de Ciências Naturais no Colégio Anchieta de Porto Alegre. Na área de botânica, foi responsável pela criação do Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais, além de uma revista do ramo. Esteve à frente da criação da atual Unisinos. Levou adiante um jornal em alemão destinado à comunidade católica teuto-rio-grandense. Publicou artigos na área de Biologia, Zoologia, Geografia e História. Foi contista, tendo escrito mesmo no dialeto hunsrückisch. Parte considerável de sua bibliografia foi escrita diretamente em alemão. Faleceu aos 56 anos, sem que tivesse registrado boa parte de suas obras.

As citações a seguir foram retiradas do livro “Em busca da grande síntese”, de Balduíno Rambo, lançado pela editora Unisinos em 1994, na tradução do Pe. Bruno Rabuske, editado pelo Pe. Arthur Rabuske.

Sobre o drama do imigrante

“Tornamo-nos escravos do mundo. Em virtude do aperto desumano, somos obrigados à imigração, sofrendo como prejuízo consequente a perda de nossa identidade nacional ou étnica. Transformam os que recebem a nossa energia numa rapina sem tamanho ou igual.”

Imigrantes alemães indo à missa. Fonte: Acervo IBGE.

“Cem anos servimos para explorar a mata virgem e para o pagamento de impostos. Ninguém se importou com a nossa condição. Melhor fora, aliás, que se continuasse a nos esquecer. Ter-nos-íamos defendido por nós próprios. Porque quando por fim se lembraram de nós, foi para nos oprimir. Lembraram-se de nós, para proibir nossos jornais, destruir as nossas associações, fechar as nossas escolas, proscrever de vez os nossos cânticos, preces e língua. Ninguém acorreu em nossa defesa, menos ainda os representantes da Igreja. Todos desferiram sobre nós e nossas cabeças os seus golpes, desancando-nos, como se fôssemos criminosos desde nascença. A nossa identidade alemã autêntica tivemos que escondê-la, como se oculta algo vergonhoso. Talvez haja nisso mesmo um sentido mais profundo. Também os órgãos genitais encobre-os o homem, embora resida neles o futuro da humanidade. Nós somos os alemães no mundo. Seguimos o nosso caminho, como trilharam os nossos pais, e nossa será a vitória final.”

A derrota alemã

“Julho de 1945. A Alemanha perdeu a guerra. Todavia, nunca perdi a esperança. Esta teimosia na esperança reside certamente, em grande parte, na tenacidade da minha natureza. Reside nela também um valor ético da mais alta qualidade. Eu depositei minha confiança no governo alemão. Manter acesa esta confiança é o primeiro dever e a primeira virtude de um homem.”

Soldados alemães mortos se encontram espalhados sobre a calçada após a luta de rua feroz em Breslau. Março de 1945

Sobre a figura de Hitler

“Para mim Hitler é um desses homens, para cujo julgamento convém aplicar o discernimento dos espíritos. O homem superficial, que se abastece da publicidade mastigada dos jornais, vê nele o único causador da guerra. A pessoa singela e piedosa, cuja pobreza de espírito muitas vezes é menor, considera-o como representante autêntico do homem maligno. Na verdade existem neste homem os traços do homem verdadeiro, que nunca é inteiramente bom nem inteiramente mau, na dimensão mundana. Este homem amou seu povo, este homem manteve-se fiel aos seus amigos, este homem tombou em combate contra o arqui-inimigo. Não enfrentou a morte prosaica dos políticos, mas a morte do soldado. E todas estas qualidades merecem o respeito de todos aqueles que se arrogam o direito de julgar o procedimento do semelhante. Ignorar tais qualidades é mostra de pobreza própria.”



A missão alemã no mundo

“A Alemanha vai se recuperar. Uma nação que conta com oitenta milhões de habitantes não se deixa abater por uma derrota. A presteza com que poderá surgir a reconstrução ficou constatada após a Primeira Guerra Mundial. Esta guerra ainda não trouxe a liberdade; devemos esperar por outra. Desta vez os ricos tiveram a supremacia sobre os pobres; mas não está escrito em nenhum livro profético que a Alemanha ficará submissa para sempre. De resto, mais uma vez ficou provado com clareza que nenhuma potência mundial isolada consegue derrotar a Alemanha. A chave da Europa e com ela a de todo o mundo está hoje nas mãos da Alemanha. Com isso ficou assentada a sua missão. Hitler foi o grande tambor contra a peste mundial do judaísmo bolchevista; não conseguiu triunfar, tombou no combate por seus ideais. A semente por ele esparramada talvez tornará a crescer e produzir frutos.”

O alemão no estrangeiro

“Se a Alemanha tivesse que desaparecer, ainda em minha vida, do grande cenário das nações, e a nossa Germanidade fosse irremediavelmente a pique, pois não, então quero ser o último alemão no estrangeiro.”

Imigração alemã para o RS e município de Estrela - A travessia do Oceano Atlântico

“Afinal de contas, se ainda cabe à Alemanha uma missão, então há de ser uma vontade divina que nós alemães no mundo nos empenhemos em colaborar para tal efeito. E se nossa mão está orientada para a unidade, tendo como premissa a tribulação e tristeza, então essa união deve ter também para nós sentido e previdência, digo para nós os que nos encontramos dispersos como lascas do carvalho alemão, até os confins do mundo. Declaro-me fiel a essa semente com todo o ímpeto do meu caráter e com toda a sinceridade masculina de minha natureza germânica.”

O amor ao próximo povo como o cumprimento de um dever divino

“Já vai para o quinto ano esta decomposição violente da História Universal, sem que se possa prever seu ponto final. Certamente não sou daqueles que se deixam intimidar pelo terror, atribuindo à vitória ou à derrota em um campo de batalha a ruína ou a sobrevivência divina, como também o triunfo final da justiça. Mas a dor e o clamor da humanidade me tocam bem de perto, embotando e cansando meu estado de alma. Intimamente ligado a este empobrecimento do espírito está o destino do meu próprio povo. Dia após dia ressoa em meus ouvidos a canção de ódio e a ordem de destruição até a última centelha, do povo alemão.”

Lealdade interior

“É para mim motivo de conforto interior constatar, ao cabo de um dia carregado de trabalhos, que, não obstante todos os ataques de fora, o núcleo da minha natureza permanece inabalável, que na fortaleza do meu interior do meu ser não penetrou nenhum espião.

Leitura

“Experimentarei levantar um dique contra a aridez interior por meio de muita leitura. O livro e eu sempre fomos bons amigos. A última hora do dia é sempre consagrada ao encontro silencioso com este amigo. Mais do que o contato ruidoso com o próximo, a leitura de um livro é estimulante para o meu espírito. O livro mata a sede na corrente inexaurível da verdade humana, bondade e beleza, valores estes que não passam de símbolo e reflexo dos valores divinos.”

Criatividade

“O espírito não é reduzível a uma máquina sem vida. A máquina adquire sua força pelo trabalho; o espírito enriquece sua força de trabalho por meio da criatividade.”

Linguagem

“A linguagem alcança sua mais alta significação quando não se restringe a ser portadora de ideias, mas quando se torna veículo de expressão do homem todo. É o caso da criança que apenas balbucia, a qual, mediante sua palavra confusa, revela todo o seu ser. É ainda mais o caso da linguagem do amor, pela qual a pessoa envolve todo o seu ser. É ainda mais o caso da linguagem poética, em que como em cálice de ouro, o homem reflete toda a sua emoção face a uma realidade superior.”

Solidão

“Quem não é capaz de ficar a sós durante um ou vários dias e lhe não bastar a solidão consigo, jamais e em parte alguma será uma pessoa rica por dentro.”

Morreu em 12 de setembro de 1961,  foi um religioso, professor, jornalista, escritor, botânico e geógrafo brasileiro além de escrito sobre história e antropologia, zoologia. - NR

Fonte: Inacreditável

Veja Também:

- O Partido Nacional-Socialista no Brasil - PARTE I

O Partido Nacional-Socialista no Brasil - PARTE II

O Plano Kalergi - Um genocídio da identidade dos povos

Richard Nikolaus Coudenhove-Kalergi (1874-1972): iniciador do movimento pan-europeu

As causas da imigração em massa ainda são astutamente escondidas pelo sistema, e retratadas como inevitáveis pela propaganda multicultural... O que eles querem apresentar como um fenômeno inevitável e espontâneo é, em verdade, um deliberado plano de longo prazo para destruir a identidade do continente.

Kalergi vê nos judeus os líderes do socialismo, comunismo e capitalismo. Aqui salta aos olhos a similaridade entre as visões de Kalergi e do Nacional-Socialismo quanto à avaliação do papel do povo eleito. Salta aos olhos a similaridade entre as visões de Kalergi e do Nacional-Socialismo quanto à avaliação do papel dos judeus. Mas também quanto a essa afirmação, Kalergi nos deve uma última prova...

Mais um plano para o domínio mundial?

Ele é considerado um dos precursores e idealizadores da moderna União Européia. Sua pessoa é glorificada em inúmeras homenagens aos mais diferentes líderes europeus. Todavia, seus escritos nos remetem a um calabouço racial. Seu nome: “Conde” Coudenhove-Kalergi.

PAN EUROPA

Um dos principais iniciadores do processo de integração européia foi o homem que forjou o plano de genocídio dos povos da Europa.  A elite o considera o fundador da União Europeia. Seu nome é Richard Coudenhove Kalergi.  Seu pai era um diplomata austríaco chamado Heinrich von Coudenhove-Kalergi (com conexões à família Bizantina dos Kallergis) e sua mãe a Japonesa Mitsu Aoyama...

Polícia da Macedônia bloqueia a entrada de um grupo de imigrantes. As grandes convulsões no Oriente Médio levam a imigração em massa aos Bálcãs. A Grécia em crise é um grande exemplo disso, assim como as grandes convulsões na África levam a grande imigração em larga escala aos países Mediterrâneos.

Em 1922, ele fundou o movimento "Pan-Europeu" em Viena, que almejava criar uma Nova Ordem Mundial baseada numa federação de nações liderada pelos Estados Unidos.  A integração europeia seria o primeiro passo na criação de um governo mundial.  Entre os primeiros apoiadores, incluíam-se os políticos tchecos Tomáš Masaryk e Edvard Beneš e o banqueiro Max Warburg, que investiu os primeiros 60.000 marcos.  O chanceler austríaco Ignaz Seipel e o presidente seguinte da Áustria, Karl Renner, tomaram para si a responsabilidade de liderar o movimento "Pan-Europeu".  Posteriormente, políticos franceses, tais como Léon Blum, Aristide Briand, Alcide De Gasperi, etc vieram a integrá-lo.

Com a ascensão do Fascismo na Europa, o projeto foi colocado em espera, mas depois da Segunda Guerra Mundial, graças ao apoio de Winston Churchill, e Loja Judaico-Maçônica B'nai B'rith e os maiores jornais como o New York Times, o plano foi aceito pelo Governo dos Estados Unidos.  A CIA posteriormente responsabilizou-se pela finalização do projeto.

A ESSÊNCIA DO PLANO KALERGI

Em seu livro "Praktischer Idealismus", Kalergi indica que os residentes do futuro "Estados Unidos da Europa" não serão os povos do Antigo Continente, mas produtos de miscigenação.  Ele claramente declara que os povos da Europa deveriam se misturar com os Asiáticos e raças escuras, assim criando um rebanho multinacional com nenhuma qualidade e facilmente controlado pela elite dirigente.

Kalergi elimina a nacionalidade e auto-determinação usando movimentos separatistas étnicos e imigração em massa.  No intuito de a Europa vir a ser controlada por uma elite, ele quer transformar o povo numa geração misturada de negros, brancos e asiáticos.  Quem é essa elite, porém? Kalergi particularmente nos ilumina a respeito disso:

“O homem do futuro será o mestiço. […]

A futura raça euro-afro-asiática, exteriormente semelhante ao egípcio, substituirá a diversidade dos povos pela diversidade de personalidades. Pois, segundo as leis hereditárias, a diversidade cresce com a diversidade dos progenitores, a unicidade com a unicidade dos progenitores. Nas famílias incestuosas, um filho assemelha-se ao outro: pois todos representam um mesmo tipo de família. […] Incesto gera tipos característicos – Cruzamentos geram personalidades originais.”

[Richard Coudenhove-Kalergi, “Praktischer Idealismus”, 1925, pág. 22/23]

Embora nenhum livro escolar mencione Kalergi, suas ideias são os princípios reitores da União Europeia.  A crença que os povos da Europa deveriam ser misturados com Africanos e Asiáticos para destruir nossa identidade e criar uma única raça mestiça, é a base de todas as políticas públicas que se dirijam a proteger minorias.  Não por razões humanitárias, mas por causa das diretivas lançadas pelo regime cruel que maquina o maior genocídio na história.

Barco com imigrantes com escolta policial chega a Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha

O Prêmio Europeu Coudenhove-Kalergi é outorgado a cada dois anos a europeus que tenham se distinguido em promover esse plano criminoso.  Entre aqueles premiados estão Angela Merkel (primeira ministro da Alemanha) e Herman Van Rompuy.

A incitação ao genocídio, é também a base de constantes apelos das Nações Unidas, que nos cobra aceitarmos milhões de imigrantes dirigindo-se às baixas taxas de natalidade da União Europeia.  De acordo com um relatório publicado em Janeiro de 2000 na Análise de "divisão populacional" das Nações Unidas em Nova Iorque, sob o título "Substituição pela imigração: uma solução para a população declinante e envelhecedora", a Europa necessitará de 159.000.000 de imigrantes até 2015.

Como meio de alcançar este império mundial judaico, Kalergi é a favor da eliminação da Auto-Determinação dos Povos e, então, a eliminação do conceito de Nação através de grandes deslocamentos humanos ou imigração em massa.

Para tornar a Europa dominável pelos judeus, Kalergi quer transformar os homogêneos povos europeus em uma raça de mestiços, composta de brancos, negros e amarelos. A tais mestiços, ele confere características como crueldade e infidelidade, características tais que precisam ser criadas artificialmente e que ele julga ser indispensável para possibilitar o domínio judaico.

“A consequência é que o mestiço unirá a ausência de caráter, inescrupulosidade, indolência, desleixo, crueldade e falta de fidelidade, com a objetividade, flexibilidade, o espírito aguçado, ausência de preconceito e amplitude de horizonte.”

[Richard Coudenhove-Kalergi, “Praktischer Idealismus”, 1925, pág. 21]

Barco com refugiados no Mediterrâneo, em fevereiro deste ano (AFP)

É de se maravilhar como pode haver uma estimativa de imigração com uma tal precisão se não houvesse um plano premeditado.  É certo que a baixa taxa de natalidade poderia facilmente ser revertida com medidas apropriadas para apoiar as famílias.  É igualmente claro que a contribuição de genes estranhos não protege a herança genética, mas que possibilita seu desaparecimento.  O único propósito dessas medidas é adulterar completamente o povo, torna-os um grupo de pessoas sem coesão nacional, histórica e cultural.

Em resumo, as políticas do plano Kalergi foram e ainda são a base das políticas de governo oficiais dirigidas ao genocídio dos povos da Europa, através da imigração em massa.  G. Brock Chisholm, ex-diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) disse: "O que os povos em todos os lugares têm a fazer é limitar suas taxas de natalidade e promover casamentos mistos (entre diferentes raças), isso tem como propósito criar uma única raça em um mundo que será dirigido por uma autoridade central."

CONCLUSÃO

Se olharmos ao nosso redor, o plano Kalergi parece estar plenamente realizado. Testemunhamos a fusão da Europa com o Terceiro Mundo.  O flagelo dos casamentos inter-raciais produz a cada ano milhares de jovens miscigenados: "Os filhos de Kalergi”.  Sob as pressões dúbias de desinformação e estupefação humanitária, promovida pela mídia, os Europeus estão sendo ensinados a renunciarem a sua origem, a renunciarem sua identidade nacional, racial e cultural.

Os servos da globalização estão tentando nos convencer que negar nossa identidade é um ato progressista e humanitário, que "racismo" é errado.  É necessário, mais do que nunca, contabilizar as mentiras do sistema, despertar o espírito revolucionário nos europeus.  Todos devem ver essa verdade, que a integração européia resulta em genocídio.  Nós não temos outra opção, a alternativa é suicídio nacional.

No presente momento, podemos notar a presença de uma palavra horrível proveniente do vocabulário de guerra dos norte-americanos, a respeito da colonização do Afeganistão e do Iraque, e que mostra como as sementes de Kalergi foram levadas pelo vento. Chama-se “nation building”, que significa mais claramente a criação artificial de Nações pelas mãos humanas.

A afirmação a respeito desta suposta inferioridade característica dos mestiços nunca foi comprovada. A superioridade de uma raça – portanto também dos judeus – nunca pôde ser comprovada. As experiências individuais de qualquer indivíduo contradizem essa afirmação.

“ […] o judaísmo é o colo onde se levantará uma nova nobreza espiritual da Europa; o núcleo junto ao qual uma nova nobreza espiritual irá se agrupar: idealistas, repletos de espiritualidade e sentidos apurados, justos e confiantes, corajosos como os nobres feudais em seus melhores dias, que encaram alegremente a morte e a perseguição, ódio e desprezo, para tornar a humanidade mais espiritual, feliz e com boas maneiras. Quanto à coragem, perseverança e idealismo, os heróis e mártires judeus da revolução européia do leste e central não deixam nada a desejar em relação aos heróis não-judeus da Guerra Mundial – todavia, na questão espiritual, eles os ultrapassam inúmeras vezes.”

[Richard Coudenhove-Kalergi, “Praktischer Idealismus”, 1925, pág. 51]

O reconhecimento da igualdade de todos perante a lei seria utilizada por Kalergi até que o domínio da ordem jurídica estabelecida seja conseguido. Ele denomina tal passo como sendo a eliminação da desigualdade injustiçada.

Após a tomada de poder pela “raça nobre judaica”, também através da exigência por direitos iguais, este princípio deveria cair por terra: através da “justa desigualdade”, os judeus deveriam estabelecer seu domínio sobre os não-judeus.

“Somente Churchill se ateve preso também durante a guerra à ideia da Pan-Europa… O movimento Pan-Europeu agradece seu êxito principalmente à ativa participação de ambos os jornais mais influentes de Nova Iorque, o New York Times e o New York Herald Tribune.”

[Richard Coudenhove-Kalergi, “PANEUROPA 1922 até 1966”, pág. 73]

A grande influência dos judeus no governo norte-americano ou no serviço secreto soviético é notória. Cerca de 37% dos membros da NKWD pertenciam à etnia judaica e a proporção era maior ainda se analisássemos somente as posições de liderança. Todavia, os judeus tornaram-se minoria nesta ideologia – apesar de sua participação proporcional ser bem maior. Na ocasião da “revolta dos médicos”, Stalin retirou finalmente o poder deles, de forma que hoje sabemos que eles eram vistos pelo KPdSU como inimigos.

Mas dentro de um amplo contexto, Kalergi mostra uma inclinação judaica ao poder, somente afirmada atualmente pelo inimigos dos judeus e anti-semitas. Resta agora provar diante do exposto, o que é de fato verdade.


Através do Princípio Democrático, à minoria no Estado é indiscutivelmente renegado o poder. O poder fica com a maioria. O Plano Kalergi para a tomada do poder exige, todavia, a proteção de uma pequena minoria das represálias políticas: como a “raça superior judaica” – cujo poder sobre o Estado é o sonho de Kalergi – representa numericamente uma menor camada do poder e antevendo sabiamente já no início do século passado, Kalergi exige a proteção das atividades políticas dos judeus através do Código Penal.

“Principal portador dos corruptos assim como dos íntegros nobres intelectuais, do capitalismo, jornalismo e da literatura, são os judeus. A superioridade de seu espírito, predestina-os como fator principal de uma futura nobreza. Uma espiada na história do povo judeu explica sua vantagem na luta pela liderança da humanidade.”

[Richard Coudenhove-Kalergi, “Praktischer Idealismus”, 1925, pág. 49]

Ele exige que a incitação contra minorias religiosas e raciais seja punida em toda a Europa. Olhando em volta, podemos constatar que ele atingiu seu objetivo: em toda a Europa, a maioria pode ser vilipendiada impunemente, porém, as minorias gozam da proteção da lei que as livram de qualquer crítica pública…



O que dizer da imigração em massa que o Brasil recebe a cada mês/ano de haitianos, principalmente após o terremoto ocorridos no país? Usando o Acre como entrada clandestina, eles já abarrotam as cidades locais (algumas a mais do que nativos!) e de lá, não sendo todos comportados seguem rota para São Paulo e outros Estados. Tudo as custas de um governo que não se contenta com milhares de brasileiros analfabetos, miseráveis e ultra-individuados de impostos

A fossa que Kalergi elaborou em 1924 para a repressão da maioria e proteção da minoria, livrando o caminho dos judeus para o poder das eventuais críticas, desempenha seu papel até esses anos iniciais do novo século.

Finalmente, como se origina um movimento político? Como é possível financiar seu início? Seria ele o fruto da contribuição de muitos, ou seja, fruto da vontade popular; ou ele atende interesses obscuros, não percebidos pela grande maioria? Kalergi responde:

“No início de 1924, nós recebemos um telefonema do Barão Louis de Rothschild: um de seus amigos, Max Warburg, de Hamburgo, tinha lido meu livro e queria me conhecer. Para minha grande surpresa, Warburg me ofereceu espontaneamente 60.000 Goldmark para fomentar o movimento durante os três primeiros anos”

[Richard Coudenhove-Kalergi, “Uma vida pela Europa”, pág. 124/125]

Os bancos podem interferir na Auto-Determinação dos Povos através de secretos investimentos? Foi um membro da Casa Bancária dos Warburg que ajudou a organizar o golpe no congresso americano em 1913, o qual conferiu ao Federal Reserve Bank o direito de imprimir o dólar e, desta forma, alavancou a primeira posição chave da economia mundial.


Segundo os dados oficiais sobre a imigração, entram anualmente no continente Europeu cerca de 2-3 milhões de imigrantes. Se contarmos que a taxa de natalidade dos nativos é decrescente e dos imigrantes ultrapassa os 10%, concluimos que a médio prazo, o plano Kalergi estará plenamente realizado.

sábado, 22 de agosto de 2015

O jogo da oligarquia imperial


Por: Adriano Benayon

Muitas pessoas não concebem como possível a perversidade com que são conduzidas as políticas de Estado das potências imperiais, seja essa perversidade o motivo primeiro ou efeito colateral de seus jogos de poder.

2. A oligarquia financeira controla os governos dessas potências e os seus sistemas de instrução pública e de comunicação social, incumbidos de gerar a carência de capacidade analítica e interpretativa dos fatos, que determina as maiorias a não perceberem o quanto as políticas imperiais são destrutivas e mesmo genocidas.

3. As potências imperiais são o Reino Unido (Inglaterra) e os Estados Unidos, cujas oligarquias financeiras se interpenetram. Outras, a elas associadas, são sub-imperiais, antigas potências imperiais derrotadas na disputa pela hegemonia e que se associaram ao império dominante.



4. É o caso, pela ordem cronológica, de Holanda, França e Alemanha. Esta aparece, hoje, como a principal delas, dando, na Europa a falsa impressão de ter luz própria, ao aparecer como o grande opressor direto dos países relegados à condição de periferia da União Europeia.

5. A notável vocação tecnológica e industrial da Alemanha, semelhante e maior em grau que a da França, tornou-se, para o império anglo-americano, um sério risco, do ponto de vista de sua pretensão de hegemonia mundial absoluta.

6. Essa é a origem das duas guerras mundiais que marcaram o Século XX. A França já caíra a segundo plano, desde o final das guerras napoleônicas, e a Holanda fora batida na segunda metade do Século XVII.

7. A Alemanha desenvolveu-se, desde o Século XVIII, impulsionada por clarividentes políticas de Estado, que culminaram, na segunda metade do Século XIX, com o primeiro-ministro Otto von Bismarck, que levou a Alemanha pouco após sua morte, em 1890, a ultrapassar a Inglaterra em poder industrial.

8. Pouco antes disso, intrigas da diplomacia e dos serviços secretos britânicos fizeram com que Bismarck fosse demitido pelo novo Imperador, Guilherme II.

Otto Eduard Leopold von Bismarck-Schönhausen (1815 - 1898),  nobre, diplomata e político prussiano. O chanceler de ferro, foi o estadista mais importante da Alemanha do século XIX. Coube a ele lançar as bases do Segundo Império, ou 2º Reich (1871-1918), que levou os países germânicos a conhecer pela primeira vez na sua história a existência de um Estado nacional único. Para formar a unidade alemã, Bismarck desprezou os recursos do liberalismo político, preferindo a política da força , assim como tomou firmes atitudes anticlericais contra a Igreja católica numa política que ficou conhecida por Kulturkampf (luta pela cultura).

9. O objetivo fora desmontar o edifício de alianças construído por Bismarck, que assegurou evitar a eclosão de algo como a primeira guerra mundial ainda no século XIX.

10. Não que Bismarck fosse pacifista. Nada disso: o mestre-mor do realismo político ficara contente com o status quo, após ter liderado a Alemanha em várias guerras e vitórias que a colocaram em posição de destaque no cenário do poder internacional.

11. Finalmente, a Grã-Bretanha (Inglaterra) logrou envolver o Imperador alemão em suas provocações, após o ter afastado da Rússia e desencadear a guerra, em 1914, da qual acabaram participando dezenas de países nas duas coligações que se opuseram.

12. O objetivo mesmo foi debilitar Alemanha e França ao mesmo tempo, eliminar a Alemanha como concorrente na hegemonia mundial e consolidar a condição de potência de segundo plano da França.

13. Conseguiu: entre outros resultados, morreram seis milhões de franceses e cinco e meio milhões de alemães, sem falar em milhões de mortos de aliados de uma e de outra.

14. A Alemanha foi, ademais, condenada, em função da “Paz” de Versalhes (1919), a pesadas reparações de guerra, que teve de pagar principalmente à França e também à Grã-Bretanha, as quais repassavam o dinheiro aos EUA para servir a dívida decorrente dos financiamentos recebidos para custear a guerra.

15. Seguiu-se a enganosa euforia dos anos 1920 e a depressão econômica e social dos anos 1930, entre cujas manifestações políticas avultou o fascismo, inclusive nazismo.

16. Muito se tem discutido sobre a natureza desse regime. Há pouco divulgou-se artigo referente à obra do historiador italiano Renzo de Felice, segundo o qual o fascismo teria, na maioria dos casos, ascendido ao poder através de golpes de audácia, favorecidos pela covardia das classes dominantes e médias.

17. Nesses debates apareceu a asserção, equivocada, mas não contestada, de que a Alemanha foi o único caso em que o fascismo chegou ao poder por eleições diretas.

18. De fato, foi uma conspiração, envolvendo chantagem junto ao presidente, Marechal Hindenburg, conduzida por banqueiros alemães associados à oligarquia financeira anglo-americana.

19. Do ponto de vista formal, assinale-se que no regime parlamentarista da Constituição de Weimar nem existiam eleições diretas. Mas o importante é que os nazistas, nas eleições para o Reichstag, nunca tiveram votos suficientes para escolher o chefe do governo (o presidente é o Chefe de Estado).

20. Os nazistas nunca obtiveram, nem de perto, a maioria absoluta, que os levasse a comandar o parlamento e o governo conforme a Constituição.

21. Nas últimas eleições, em novembro de 1932, tiveram declínio na votação, para 32%. Nunca havia maioria parlamentar, e o presidente sempre escolhia o Kanzler, conforme um artigo de exceção, no caso de não haver maioria no Reichstag.

Este episódio está bem descrito no artigo 30 de janeiro de 1933. No início de 1933, houve a eleição na região do Lippe, onde o partido de Hitler obteve um aumento de 18% em relação ao resultado de novembro. Isso destruiu os argumentos da imprensa liberal-comunista e mostrou que o NSDAP estava mais vivo do que nunca, apesar do crescente e sempre presente terror vermelho – NR.

22. Hindenburg decidira, após aquela eleição, nomear o chefe do Estado-maior do Exército, General Kurt von Schleicher, o qual reverteria a depressão e o descalabro financeiro, com economistas, como Lautenbach e outros, de confiança de Federações patronais e de sindicatos de trabalhadores, com políticas de conteúdo superior às de Keynes e de Schaacht, o czar da economia de Hitler.

O grande ideólogo por detrás do milagre econômico de Hitler foi sem dúvida alguma Gottfried Feder. Hoje em dia, à véspera de mais um reset do sistema, o serviço de desinformação do inimigo faz de tudo para mostrar a anuência de Hitler perante as Altas Finanças e apresenta como prova disto o “Czar Schacht”. Como podemos ler no artigo “Política Econômica do Terceiro Reich”, o maçom Hjalmar Schacht foi uma peça de transição, dispensado quando não foi mais necessário – NR.

23. Isso não agradou, de forma alguma, a oligarquia financeira anglo-americana, que jogou a carta de Hitler, com intenção, convertida em realidade, de causar a 2ª Guerra Mundial. Ao contrário da difundida e falsa imagem do ditador nazista, ele não era nacionalista, mas sim somente racista, fanático admirador do imperialismo britânico.

24. Antes de galgar o poder e fazê-lo absoluto, com o golpe de incendiar o Reichstag, cassar os mandatos dos deputados comunistas, para obter a maioria absoluta que lhe permitiu conseguir os plenos poderes, Hitler prometera invadir a Rússia, o que cumpriu em junho de 1941.

“Hitler não era nacionalista…”, “mandou atear fogo no Reichstag…”, apenas repetição dos velhos falsos clichês da propaganda sionista. Recomendamos a todos uma leitura atenta dos artigos sobre o Nacional-Socialismo que publicamos em nosso Portal – NR.

25. Foi notório e conspícuo o apoio e a admiração recíproca entre líderes da indústria e das finanças anglo-americanas, bem como de figuras de proa da família real britânica, e Hitler.

26. A simpatia deste pelos britânicos teve, entre outras confirmações, a determinação do Führer aos chefes militares de darem ordem de alto ao Exército, sem a qual os panzers alemães teriam esmagado, na Flandres (França e Bélgica), a força expedicionária do Reino Unido (ou a feito prisioneira), no final de maio de 1940, quando mais de 300 mil combatentes foram evacuados na famosa retirada de Dunquerque.

27. A 2ª Guerra Mundial começou para valer na Europa, no verão seguinte, quando Hitler ordenou a operação Barbarossa (invasão da Rússia), engajando nela, a quase totalidade do poderio armado alemão.

28. Então ocorreram as grandes batalhas da 2ª Guerra Mundial, por quatro anos, até o final de maio de 1945, a maior parte dos quais em território da União Soviética, cujos mortos são calculados em 20 milhões, além de seis milhões de alemães, afora enorme devastação material.

29. Novamente, o objetivo era destruir duas potências rivais. No caso da Alemanha completar o debilitamento encetado com a 1ª Guerra Mundial. No da Rússia, aniquilar a economia e o poder de um enorme país que apresentava potencial de surgir como potência de primeiro plano.

30. As forças anglo-americanas – notadamente a aviação, área em que tinham superioridade – ajudaram a destruir a infra-estrutura alemã, na fase final da guerra, quando a Rússia já havia feito o essencial do serviço. Além disso, os anglo-americanos assassinaram centenas de milhares de alemães, por meio dos bombardeios genocidas a várias cidades, notadamente Dresden e Berlim, com o objetivo colateral de intimidar a Rússia.

31. Fizeram algo semelhante na Guerra com o Japão, quando este já estava derrotado e pronto a assinar a rendição, fazendo os bombardeios nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki (06 e 09 de agosto de 1945).

Sobre o autor:

Adriano Benayon, Brasileiro, nascido em 1934, Consultor em finanças e em biomassa. Doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo, Bacharel em Direito, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Diplomado no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco, Itamaraty. Diplomata de carreira, postos na Holanda, Paraguai, Bulgária, Alemanha, Estados Unidos e México. Delegado do Brasil em reuniões multilaterais nas áreas econômica tecnológica. Depois, Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal na área de economia. Professor da Universidade de Brasília (Empresas Multinacionais; Sistema Financeiro Internacional; Estado e Desenvolvimento no Brasil). Autor de Globalização versus Desenvolvimento, 2ª ed. Editora Escrituras, São Paulo.

Fonte: Inacreditavel

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Black Metal Versus Pós-modernidade


Vários anos após a ascensão do  Black Metal nacional-socialista (NSBM), é hora de finalmente perceber que um verdadeiro sentido Black Metal foi perdido. Isto aconteceu através de uma série de eventos e desenvolvimentos, incluindo a prisão e libertação de Hendrik Möbus, o surgimento de uma cepa depressiva de Black Metal, o suicídio de Jon Nödtveidt, e uma simbiose entre o metro e o mainstream.

A uniformidade do mundo pós-moderno empurrou o Black Metal para o abismo da recursividade, de se reinventar, para ser produto e produtor - uma construção complexa que, apesar de sua mensagem, tende a sua própria destruição e devastação.

A desova primordial do movimento NSBM começou com a adoção de Hollywood de elementos "nazi-fascista" que foram projetados simplesmente para chocar e assustar, mas isso mais tarde evoluiu para uma direção mais "positiva" que ficou ligada ao objetivo de afirmar explicitamente a "sobrevivência racial". Isso criou a ironia de um gênero musical que tinha sido centrada nos aspectos transversais metafísicos para a vida e a morte se tornando  em vez disso, focada "na vida".




No lugar de aspectos Nacional-Socialistas totêmicos, houve uma incorporação do Nacional-Socialismo e elementos ideológicos identitários, geralmente de natureza nostálgica e anacrônico. Isto também tendeu para uma domesticação e amolecimento do movimento, bem como uma certa perda de espiritualidade na contra-cultura (ou "ocultura").

O que antes era assustador e radical, assim, tornou-se focado na técnica e acessível às massas, efetivamente tornando-se um desmistificado e "secular" Black Metal. Este movimento, que separou a música de suas raízes, foi bem acolhido e apoiada pelo público. Mas como os aspectos "positivos" foram destacados, o Black Metal também perdeu muito de sua natureza primária - sua negatividade fundamental, o abismo do qual ele chamou a sua energia, como, em essência, o Black Metal era a glorificação da morte como um núcleo de transcendência.

"Velhas guerras, velhos inimigos e uma nova aurora"

Através desta reinvenção, esta chamada contracultura e ataque à sociedade, passou por um processo de "embelezamento", vendendo para fora seu poder mítico em troca de "banalidades" como "fraternidade e filantropia". De existente como uma heresia no cenário da música contemporânea, se transformou em algo mais parecido com "música folclórica". O verdadeiro espírito Black Metal foi perdido sob camadas de flautas, ocarinas, e votos de "felicidades para todos".

Alguns argumentam que o declínio do Ocidente encontra-se no individualismo, e que devemos, portanto, esforçar-se para escapar dele e virar-se para tal bonomia coletiva, mas, ao mesmo tempo, não pode haver lugar para o socialismo no domínio do Black Metal.

Como, então, podemos criar uma antítese individualista potente no Black Metal para se opor à atomização da modernidade que está transformando o mundo em uma gaiola efeminada centrada nos direitos humanos amados por esquerdistas? Para responder a isto vou usar uma metáfora do Narasimha Purana, um dos Upapuranas, um gênero de textos religiosos hindus, e invocar o pensamento dionisíaco de Nietzsche. Façamos as seguintes equações:

Hiranyakashipu = o mundo pós-moderno (uma consequência do mundo moderno)
Vishnu = o verdadeiro ethos ocidental
Narasimha = a forma e a função do Black Metal

No Narasimha Purana, Hiranyakashipu (o mundo pós-moderno) não pode ser morto por um ser humano, deva, ou animal. Vishnu (o Ethos Ocidental), toma forma através de Narasimha, uma divindade animal / homem. Em um mundo cruel, Vishnu torna seu mais cruel avatar, de modo que Narasimha (Black Metal), se é para ter uma existência significativa, deve ir além de todos os parâmetros e limites aceitáveis, e não limitar-se a normas estabelecidas, que apenas levam-lo em anacronismo.

“Você nunca deve confiar naquilo que é divulgado pela mídia. A primeira prioridade deles é espalhar boatos e a segunda é ganhar dinheiro. Eles nunca se preocupam realmente em dizer a verdade.”  ―Varg Vikernes

Esta dependência de um grau de individualismo pode parecer paradoxal, mas ao invés de o narcisismo egoísta do mundo pós-moderno, é na verdade uma negação pura do Eu e uma pulverização de todos os aspectos humanos. É puro desejo separado da razão porque em um mundo apolíneo, o homem apolíneo tornou-se homem-massa.

Fazes o que tu queres e há de ser tudo da Lei: isso deve negar a principal regra do Mundo Moderno, ou seja, a razão.

Como os valores progressistas e ciência caminham lado a lado, não há verdadeira separação entre Estado e religião. Isto apesar de o ponto de vista de ateus que somente uma religião com deuses explícitas é uma religião real. Na verdade, o liberal ateu racional secular tem muitos outros "deuses". Para se afastar de tais banalidade espiritual é importante conceber o mundo como ele realmente é, como algo mais irracional, supersticiosa, sinistro, amoral, e transcendente.

A religiosidade e o fanatismo expressa por setores dentro do Black Metal deve ir além dos meros elementos estéticos ou devoção como um fim em si mesmo. Abre-se um ataque a pós-modernidade de dois flancos no tempo: passado e futuro.

O Black Metal tem servido não só como uma ferramenta de apostasia - um meio de optar por sair - mas também como um precursor da espiritualidade de velho e novo. Mas até mesmo os elementos de ressentimento tem agido como um catalisador do conhecimento/ sabedoria. Sem o Black Metal para explodir as escalas de distância, muitos não teriam sido capaz de investigar  as vias mais esclarecedoras.

Na base de que todas as grandes civilizações e suas manifestações, tem sido produto de povos indo-europeus, não é difícil entender a razão pela qual o ocultismo - que são religiões e espiritualidade de eras passadas - tendem a evocar graus e formas de consciência racial e nacionalismo branco que incidem sobre reivindicações culturais e identitárias (Kulturkampf) em vez de a defesa do moderno Estado-nação (uma política ideológica). Isso aponta para o despertar de arquétipos como pequenas ilhas na modernidade, ilhas tribais em um mundo uniforme.

O Rock, o "avô" de Black Metal, também, assim como o mesmo, apela para o básico, carnal, aspectos despertados, reprimidos por séculos de música branca apolínea. O surgimento do Rock marca um retorno do dionisíaco que rejeita, zomba, perturba, e destrói o puro, som pop racional (a celebração, forma de realização, e estase da banalidade da vida moderna). É um impulso para derrubar a ordem universal enraizada nas catacumbas de Roma, que tem castrados a besta no homem.

Vou terminar este breve comentário com uma citação de Friedrich Nietzsche, que talvez pudéssemos afirmar como um ponto elaborado a partir de "O Nascimento da Tragédia":

"[L] est a tendência apolínea congela toda a forma em rigidez egípcia, e na tentativa de prescrever a sua órbita a cada onda particular inibi o movimento do lago, a maré e enchente dionisíaca destrói periodicamente todos os pequenos círculos em que o apolíneo vai se confinar no Helenismo. " - (Nascimento da Tragédia 9.)

Fonte: Black Gnosis

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Until The Light Take Us ("Até que a luz nos leve") - o verdadeiro significado do Black Metal

A Revolução de Mussolini


Por: Jaime Nogueira Pinto

"Tutto cio che è entrato nella Storia non si cancella" (tudo aquilo que entrou na História não pode apagar-se...).

Esta afirmação de Benito Mussolini, em princípios de Março de 1945, quando, na já agonizante República Social Italiana, presidia, lúcido, sem ilusões, ao aproximar inexorável do fim, pode servir de mote ao espírito com que os seus compatriotas celebraram o centésimo aniversário do seu nascimento. Um espírito sem complexos, sem pesos, sem «lendas negras», onde, curiosamente, o mais significativo talvez não sejam os dois milhões e meio de votos recolhidos pelos neo-fascistas do MSI nas eleições legislativas de 29 de Junho, com uma subida muito substancial em relação aos números anteriores.

Mas, desde a grande exposição de Milão sobre as artes na era fascista, batizada Annitrenta, até um surto editorial de dezenas, senão ,centenas de títulos, desde posters a T-Shirts com o Duce, de filmes a séries de Televisão, de carimbos postais comemorativos, até ao multiplicar de excursões para Pedrappio, a Itália parece, bruscamente, ter esquecido o anátema imposto pela "Santa-aliança antifascista" - de comunistas, laicos e democratas cristãos - e, sem falsas ilusões sobre o passado do Passado, mas também sem sujeição às suas caricaturas, olhar outra vez esses "anos negros" cujo fascínio leva muito mais da nostalgia de Amarcord, que do ritual panfletário de Novecento, sem falar desse exercício de autoflagelação sado-masoquista que é o SaJó de Pasolini. "Benito Mussolini fez 25 anos de História... Não se pode, simplesmente, apagá-lo assim" - respondeu aos seus críticos Don Michelangelo, o pároco da Igreja de Santo António, de Pedrappio, que em 29 de Julho celebrou a Missa de Aniversário do Duce.

"Que personagem!"

Quem foi Benito Mussolini, interroga-se André Brissaud no limiar da sua biografia monumental do fundador do fascismo ... "Para uns, um reacionário anticomunista, um ditador chaplinesco, um 'César de Carnaval', sem importância histórica, um 'parêntesis insignificante na história da Itália...".

"Para outros, um reformador ousado, um homem de Estado fora do comum, uma reincarnação romana, um guia humano e heroico, talvez um mártir ou um santo...".

E depois de abrir esta dicotomia, o autor avança com uma resposta de síntese:

"A realidade é que este filho da terra de Romana, socialista revolucionário de extrema esquerda, inventou o fascismo. Verdade histórica que é preciso aceitar. E foi, durante vinte e três anos, o Duce (O Chefe) da Itália, que transformou numa potência europeia. Foi um dos personagens mais importantes da cena internacional de 1920 a 1945

Os "intelectuais de aluguel" de qualquer paralelo que saltitam na praça, de apoderado em apoderado, vendendo ideias e estratégias à esquerda, direita e centro, ao sabor de quem vai pagando e dos vai-vens do quotidiano, terão sempre dificuldade em perceber estes fenômenos vitais, alheios à racionalização economicista, escapando a Marx, a Adam Smith, a Freud e a qualquer vademecum; até porque, à partida, a sua existência individual e colectiva é uma guerra de tréguas contra as classificações anteriores, contra os dualismos simplistas, contra as regras estafadas da última regra.

"Que personagem!" foi a exclamação de ternura irônica, soltada por Dona RacheIle, (que acompanhará fielmente Mussolini, apagada e silenciosa nos tempos áureos, aumentando de dimensão com as dificuldades, assumindo-se a partir de 1945 como chefe do clã,.a viúva, a mulher forte) quando, em 1922, soube que o Rei chamara o marido para fazer governo. "Que personagem!"

Basta passar os olhos pela imprensa europeia da época, ouvir os seus contemporâneos - "Se fosse italiano, estaria consigo, seria fascista" afirmou-lhe ChurchilI em Roma; "Homem da Providência" chamou-lhe Pio XI - olhar uma velha fotografia ou um velho filme, escutar um disco da época, para compreender o carácter carismático, espantosamente popular, deste homem que, em Dezembro de 1944, a quatro meses da morte e da derrota, apesar de espantosos sofrimentos da guerra, da miséria, dos bombardeamentos, apesar da dureza do terrorismo e do contraterrorismo, ainda juntava 100 mil pessoas, no seu último discurso público em Milão ...

"Que personagem" ... Para Sir Ivone Kirkpatrick, que serviu em Roma nos anos áureos do Fascismo, a personalidade de Mussolini, o desdobramento entre o flamejante homem público e o chefe de família bisonho com horror à vida mundana, que conduzia o seu automóvel e se fechava na Vila Torionia, com a família, correspondia a uma realidade: "Esta vida solitária que escolhera e que lhe dava uma utilíssima auréola de mistério, correspondia, no fundo, aos seus gostos. A simplicidade também. O luxo não o seduzia. O dinheiro só lhe interessava na medida em que lhe servia para as necessidades correntes. Nunca trazia nenhum consigo (...) Os títulos e outras honrarias vãs também não lhe interessavam. Assim o exemplo de austeridade que dava à Itália, não implicava nenhum sacrifício pessoal."

"Ninguém o compreende" - "Ora manhoso, ora ingênuo; ora brutal ora dócil; vingativo e pronto ao perdão, generoso e mesquinho, é o homem mais complicado e mais contraditório, que jamais conheci" - escreveu Fernando Mezzasoma, um dos companheiros do Duce, na última semana de vida de ambos ...

As raízes e os mestres

Talvez alguns dados biográficos abram chaves para o personagem.

No mapa da Itália, em plena Romagna, equidistante de Florença e Bolonha, vizinha a Forli, fica a aldeia de Dovia de Predappio. Ali, ou mais exatamente, numa casa grande e em mau estado sita na colina próxima, num lugar conhecido por Varano da Costa, nasceu há cem anos, filho do ferreiro anarco-socialista revolucionário Alessandro Mussolini e da professora primária Rosa Maltoni, o futuro Duce do Fascismo logo baptizado com os nomes de Benito Amilcare; Benito, do revolucionário mexicano Benito Jurarez; Amilcare e Andrea dos anarquistas italianos Amilcare Cipriani e Andrea Costa, este secretário de Bakounine. Todo um programa.

Local de nascimento de Mussolini (nascido a 29 de julho de 1883), em Dovia de Predappio, Forlì em Emília-Romanha, Itália. Hoje em dia, a casa é utilizada como um museu.

Alessandro é um autodidata revolucionário, um bakouninista fervoroso, que fundou uma secção da Internacional em Pedrappio, que está presente em todas das desordens e escaramuças contra as autoridades, familiar de tabernas e da palha do cárcere por razões políticas; um desses curiosos cruzamentos de livre pensador e socialista avançado, que assim definia o socialismo: "A ciência iluminando o mundo; a razão levando a melhor sobre a fé; o livre-pensamento derrubando os preconceitos; livre acordo entre os homens para levar uma vida realmente civilizada; a verdadeira justiça estabelecida sobre a terra; uma harmonia sublime de ideia, pensamento e ação."

Depois de uma conturbada estadia nos Salesianos de Faenza, onde o seu anticlericalismo consanguíneo explode violentamente, o jovem Mussolini inscreve-se na Escola de Forlinpoli, iniciando na vida acadêmica atividades de orador e jornalista, conhecendo uma paixão platônica, iniciando-se nos amores menos platônicos. E também na política.

Com fama de subversivo e revolucionário, o professor Benito Mussolini só consegue um lugar na escola primária de Piave de Saliceto, uma aldeia de Gualtieri - "a comuna mais vermelha da Itália". Ao fim de algum tempo, entretanto, decide sair da Itália e ir para a Suíça.

E é o cortejo clássico das penas e trabalhos de todos os emigrantes e emigrados: a fome, a humilhação, o ressentimento, os sonhos de grandeza e de vingança. Mussolini trabalha como pedreiro, como carniceiro, como moço de recados, numa fábrica de chocolates. É preso por mendicidade e por vagabundagem, dorme debaixo das pontes, a roupa em farrapos, o ar voluntarioso e patibular (como se vê nos retratos, aos 20 anos, na prisão) uma medalha de Karl Marx ao pescoço que pouco o recomendará à polícia helvética!

Fotografias da prisão de Mussolini pela polícia suíça, no Cantão de Berna, 19 de junho de 1903.

Mas em Lausana é ajudado por Vilfredo Pareto e na biblioteca universitária lê Blanqui, Kropotkine, descobre Gustave Le Bon e, sobretudo, Georges Sorel. Sorel é todo um novo mundo para o jovem revolucionário apaixonado, frequentador dos círculos niilistas e marxistas da Brasserie Landolt, onde Angélica Balabannoff completa a sua educação revolucionária, fazendo-o ler dos idealistas alemães aos socialistas utópicos; e sobretudo Proudhon que Mussolini acha "genial".

Mas Sorel é a grande descoberta ... Sorel com o seu "socialismo ético", a sua "metafísica sindicalista", o seu primado do Mito sobre a utopia; o marxismo heterodoxo, voluntarista, aristocrático. E toda uma filosofia e teoria de Acção. "Para mim o essencial era agir. Mas repito que é a Sorel que devo mais. Foi este mestre do Sindicalismo que, pelas suas rudes teorias sobre a táctica revolucionária, contribuiu mais para formar a disciplina, a energia e o poder das coortes fascistas" dirá, num jeito empolgado e romantizado, retrospectivamente, em 1922...

E depois de Sorel, Nietzsche... Esta força da natureza, descidamente, não recua perante nada... Nietzsche, o grande irracionalista, o grande niilista, o grande iconoclasta, o inimigo de Sócrates e da tradição racionalista europeia - de que Marx é, pelo menos em certa direção, um produto acabado. Nietzsche, que o "socialista fascista" Drieu la Rochelle contraporá a Marx, num texto célebre, serve de inspirador a Mussolini. "Nietzsche marca o centro de um próximo regresso ao ideal. Mas de um ideal fundamentalmente diferente daqueles nos quais acreditaram as gerações passadas. Para o compreender, ver-se-á surgir uma nova geração de espíritos livres, fortificados pela guerra, pela solidão, pelos perigos graves aos quais terão estado expostos, espíritos que hão-de conhecer os ventos, os glaciares, a neve das altas montanhas e saberão medir, com um olhar sereno, toda a profundidade dos abismos" - escreverá, depois, num texto cujo estilo deve bastante ao mestre descoberto...

Ao niilismo nietzschiano junta-se, nesta fase, um profundo anticlericalismo e anticristianismo com a repetição de uma cena clássica dos ateus militantes da época há um episódio paralelo nas biografias de Antero - de relógio na mão dando cinco minutos a Deus para o destruir. E curiosamente, o socialista extremista utiliza argumentos nietzschianos para atacar o Cristianismo "culpado de ter feito cair o magnífico edifício do império romano, enfraquecendo com ideologias, a sua resistência aos golpes dos bárbaros".

O Socialista Revolucionário

Organizador de greves, agitador permanente, indomável, violento, a sua divisa nesta época é bem Arresto, Carcere, Sfratto (Detenção, Prisão, Expulsão).

Assim vai seguindo, personna non grata das autoridades suíças (bem habituadas entretanto a revolucionários de todos as matrizes) de Lausanne para Genéve; de Genéve para Anemasse no lado francês do Uman; depois outra vez na Suíça, em Zurique; depois na Alemanha; depois Berna.

1905 é o regresso a Itália para o serviço militar; e a morte da mãe, que o abala profundamente. A família Mussolini muda-se para Forli, onde Alessandro monta um café-restaurante. Mas a partir de 1908, o professor revolucionário Benito Mussolini é imparável; nesse mesmo ano propõe casamento a Rachele Guidi, e logo em princípio de 1909 parte para Trento para trabalhar nos jornais de Cesare Battisti o diário Il Popolo e os semanários La Vita Trentina e E Avvenire del Lavoratore. Por pouco tempo, já que os austríacos o expulsam, em Setembro, pelas suas ações irredentistas e sindicalistas.

Na Itália de novo, Mussolini instala-se em Forli e junta-se com Rachele; além de secretário da federação local do partido socialista é diretor-redator de La Lotta di Classe; ganha 120 liras por mês, das quais entrega 20 ao Partido. Na Itália de então, menos de meio século de unidade nacional, feita por homens e interesses do Norte, com o sufrágio censitário (apenas 3 milhões, em 36 milhões de habitantes são eleitores) o absentismo de consciência dos católicos, consolidam numa forte e reduzida oligarquia burguesa o poder político e econômico.

O Partido Socialista é um partido pequeno-burguês, reformista, com os seus líderes como Filipo Thrati, Bonomi, Salvemini, voltados para uma ação mais de enquadramento das massas, que da sua agitação revolucionária.

É neste quadro que Mussolini se revela como líder... Como escreveu Pietro Nenni "Um homem, Mussolini, pareceu ter o poder de estar ao mesmo tempo em toda a parte atraindo o entusiasmo revolucionário das massas... Estava sempre disposto a sacrificar a teoria à ação. A sua divisa era desde que pudéssemos combater. E, quando não havia nenhuma possibilidade de combater o Estado, devíamos combatermo-nos mutuamente, porque ele achava que assim fortificávamos os nossos músculos e preparávamos os nossos espíritos."

Bem cedo, começam os choques entre o jovem revolucionário radical e maximalista e os dirigentes partidários; em 1910 - ano do nascimento da filha Edda e da morte do pai, Alessandro - Mussolini torna-se notado como orador e polemista; em 1911, toma parte na campanha contra a guerra na Tripolitânia, falando nos comícios em Forli, dirigindo a ocupação da cidade pelos socialistas e, de picareta na mão, arrancando as pedras das ruas para fazer barricadas ... "A sua eloquência lembrava a de Marat" - recorda Nenni que, ao tempo, era dirigente republicano.

A ordem é restabelecida. Mussolini é julgado e condenado a um ano de prisão; Nenni também. "Passávamos - escreve nas suas Memórias - muitas horas juntos, fechados na nossa célula, a jogar às cartas, a ler, a traçar planos de futuro. O nosso autor favorito era Georges Sorel, com o seu desprezo pelo compromisso parlamentar e pelo reformismo. Mussolini não era um fetichista, um fanático marxista. Era um socialista por instinto e por tradição familiar; era, sobretudo, um rebelde... Prisioneiro modelo, indulgente para os hóspedes habituais da prisão, encontrava desculpas para todos e para tudo e justificava os seus crimes pela injustiça social".

Na prisão, Mussolini faz traduções, escreve para La Lotta di Classe e cartas a Raquel. E passa atrás das grades o Natal de 1911...

No Congresso de Regio d' Emilia, em Julho de 1912, Mussolini vai, pela primeira vez, defrontar abertamente a linha oficial do partido... É um homem jovem, de traços agrestes, com uma barba de dias, os bolsos cheios de jornais, roupas coçadas, sapatos baços... Defende contra a colaboração de classes, a luta de classes, a dialéctica explorador-explorado, faz a apologia da violência e da luta armada... E exige a exclusão de Bissolati, de Bonomi, de Cabrini, de Guido Prodrecca... O congresso apoia por 12556 votos, "o antipapa do socialismo oficial de Roma e de Milão", Mussolini, que é eleito membro do Comitê Executivo... "A entrada de Benito Mussolini na nova equipe dirigente do Partido Socialista Italiano mostra que este tomou finalmente o bom caminho", afirma Lenine na ocasião.

Assim, como por magia, "este jovem notável, seco, rude, impetuoso, extremamente original", este revolucionário "em que o espírito das barricadas domina a disciplina marxista" torna-se, da noite para o dia, não só a "personalidade mais influente" do Partido Socialista, como, em 1 de Dezembro de 1912, o diretor do Avanti, órgão do Partido.

Um jornal é, como ensinou Lenine, muito mais que um jornal; é, sobretudo, um organizador coletivo; Mussolini, em três meses, quintuplica de 20 para 100 mil a tiragem do Avanti. Processos, julgamentos, violência... No ano seguinte funda uma revista: "Utopia"; e escreve no seu editorial:

"As massas, chamadas à busca de um novo reino, têm menos necessidade de conhecer que de acreditar. Do mesmo modo que se pode ser um bom cristão sem compreender a Teologia, pode-se ser um bom socialista sem ter lido todas as grandes obras do socialismo. A revolução socialista é um ato de fé".

A Guerra e a Intervenção

A nossa geração é, por vezes, levada a subestimar o papel da Primeira Grande Guerra de 1914-18, no fim do velho mundo e no nascimento do outro. Pela primeira vez no conflito entre nações houve a guerra total (os nortistas tinham-na executado já na Guerra Civil americana); a guerra foi industrializada, democratizada, massificada; guerra química, mobilização geral de efeitos nunca vistos, como a metralhadora, as trincheiras e a guerra de posição a contribuírem para massacres nunca imaginados...

Desta Guerra nasceriam as grandes revoluções ou melhor, os modelos inspirados nas grandes ideologias revolucionárias alcançariam o poder; o triunfo do bolchevismo é uma consequência das derrotas dos Exércitos czaristas; o Nacional Socialismo é a consequência da derrota alemã e do Ditado de Versalhes; o Fascismo italiano é produto do ressentimento de uma "vitória traída".

Mussolini em seus trajes militares, quando, em 1917, serviu em nome da Itália, na Primeira Guerra Mundial.

Mussolini, no Congresso de Ancona (Maio de 1914), viu consagrada a sua liderança - conseguiu a expulsão dos franco-maçons do Partido Socialista, apesar da oratória inflamada de Orazio Raimondo; viu sancionada a sua direção no Avanti e a sua chefia carismática como "o homem indispensável" para um "movimento revolucionário autêntico"; colheu os frutos da estratégia de usar um jornal como o porta-voz de um espírito revolucionário nas massas italianas. E, em Junho de 1914, os progressos do Partido nas eleições municipais consagraram a nova linha dura.

Ao mesmo tempo, a sua vida sentimental é tão atribulada e complexa, como a sua vida política: entre a belíssima judia veneziana Margharita Sarfatti, cronista de arte do Avanti e a exótica anarquista Leda Rafanelli; entre a austríaca Ida Dalser e a fidelíssima Dona Rachele, Mussolini oscilará, viverá, manterá, por esta época, ligações tumultuosas e apaixonadas, que, entretanto, em nada afetarão a sua combatividade e agressividade. "Homem coberto de mulheres" - a seu modo sê-lo-á sempre - é-o como um condottiere renascentista ou um meridional machista - sem complexos, sem problemas, na antítese da paixão romântica, impossível, do amor "ocidental" e trovadoresco.

1914 foi também a libertação das "paixões nacionalistas" e, sobretudo, das tensões e violências acumuladas por quase um século de paz geral na Europa impostas pelos "reacionários" e realistas signatários da Paz de Viena, que atendiam mais à natureza das coisas que às paixões ideológicas, mais à História e ao equilíbrio que aos nacionalitarismos ou à vontade dos Povos. Nas vésperas do conflito, a seguir ao atentado de Sarajevo, Mussolini faz rápida e profeticamente a análise do que se vai passar: "Vejamos claramente as coisas. Os impérios centrais, atacando a Sérvia, atacam a França e a Inglaterra. Uma conflagração geral é então inevitável. Estou convencido que os socialistas alemães seguirão o seu Imperador. A Internacional Socialista vai voar em estilhaços. Os socialistas franceses encontrarão no marxismo excelentes razões para pensar que uma tal guerra é a agressão de uma potência militar de carácter feudal contra uma democracia que, por ser burguesa, não deixa de ser progressista. Poder-se-ão, pois, tornar soldados da pátria sem experimentar os menores escrúpulos. Confesso não poder condená-los. Nenhum abismo se abre para eles, entre os imperativos da realidade e a sua consciência socialista."

E como o seu confidente, Michele Campagna, fazendo-se de advogado do diabo lhe citasse por seus discursos anti-belicistas no passado, Mussolini vai retorquir, nessa viagem de regresso a Milão, em Junho de 14, "( ... ) Não era a mesma coisa ( ... ) Trata-se, aí, de uma guerra de agressão. Pelo contrário, esta guerra pode trazer a salvação à Itália. Pode resolver o problema de Trieste e do Trentino, arrancá-los às garras da Áustria, país que o irredentista Cesare Rossi me ensinou a considerar como o inimigo da liberdade. E esta guerra pode, também, aproximar o desencadear da Revolução".

Como análise política a futura lógica não era má... As coisas vão passar-se assim... Em 28 de Julho, a Áustria-Hungria declara guerra à Sérvia; em Berlim, os sociais-democratas votam os créditos da guerra e em Paris reina o espírito de "união sagrada", batizado pelo assassinato de Jaurés.

A classe política italiana divide-se entre os partidários do respeito pela Aliança com os Impérios Centrais, os partidários de uma intervenção ao lado da Entente e os defensores da não intervenção entre os quais está Mussolini. Aliás, a guerra produz um realinhamento de tendências e de divisões dentro de "direitas" e "esquerdas", como sempre sucede quando questões vitais se chocam com dicotomias ideológicas ou tradicionais.

Os nacionalistas, sindicalistas e republicanos, que vêem na guerra a realização e conclusão dos objetivos lançam uma violenta campanha intervencionista. Mussolini hesita, oscila entre os interesses da realidade histórica e nacional e os princípios ideológicos pacifistas contra a "guerra burguesa". Em La Voce, Giuseppe Prezzolini desafia-o nestes termos "Caro. Mussolini, ou cão, ou lebre. Mas ainda é tempo de escapar. Liberte-se desse equívoco. Deixe que a sua alma guerreira se manifeste inteiramente!"

Em 18 de Outubro de 1914, Mussolini decide-se e publica no Avanti um artigo Del Ja neutralitá assoluta alla neutralitá attiva ed operante que, em substância, representa um salto qualitativo no sentido de um socialismo integrado na tradição risorgimentale romântica, do garibaldismo e do mazzinismo. O Partido Socialista não pode fazer de avestruz e tem de estar consciente do momento e da realidade histórica. O Executivo Socialista reage violentamente, convocando uma reunião para Bolonha, quarenta e oito horas depois. Mussolini está sozinho e é demitido da direção do Avanti.

Regresso á estaca zero. Mas, menos de um mês depois, lança um novo quotidiano, Il Popolo d'Itália, apoiado financeira e logisticamente por Filippo Naldi, dono de Il Resto deI Carlino de Bolonha. - E será a partir do jornal, onde apela sobretudo aos jovens ("Dirijo-me a vós, jovens de Itália, jovens das fábricas e das universidades, jovens em idade e jovens em espírito, que pertenceis a uma geração escolhida pelo Destino para modelar a História.") que vai nascer o fascínio e o folclore próprio do fascismo: a bandeira negra dos arditi com a caveira e o punhal, um revólver carregado e uma granada na mesa de trabalho do diretor, aonde se acumulam livros, papéis, provas, jornais. E começam as cartas e as adesões, de entre nacionalistas e socialistas, entre conservadores e sindicalistas revolucionários. De Croce a Prezzolini, de Papini a d'Anunnzio, de Corridoni aos irmãos Garibaldi, um movimento de solidariedade acolhe o recém convertido ao intervencionismo ("O partido socialista expulsa-te a Itália recebe-te!") - telegrafa Prezzolini.

"Enquanto tiver uma pena na mão e um revólver no bolso, não tenho medo de ninguém. Sou forte mesmo se estiver só e precisamente porque estou só" - desabafa Mussolini com os seus colaboradores numa tirada de sabor nietzschiano, depois de expulso ruidosamente do Partido Socialista. Em Dezembro, Fillippo Corridoni, Cesare Rossi e Alceste de Ambris, convidam Mussolini para se juntar a eles nos Fasci d'Azione Rivoluzionaria e, em 24 de Janeiro de 1915, trinta pessoas reúnem-se em Milão no ato fundacional do movimento.

A Guerra contra a Áustria, declarada em 24 de Maio de 1915 (contra a Alemanha só será no Verão de 1916) encontra os Italianos com muito entusiasmo entre os civis, mas com um Exército mal armado, mal equipado, sem quadros, com terríveis deficiências no parque automóvel, de artilharia e sanitário. Mussolini, voluntário mobilizado em Setembro de 1915, parte para a frente como simples soldado. Combate e medita sobre a guerra: "O militarismo made in Germany não tem saída na Itália. Aliás, esta guerra, feita pelos povos e não pelos exércitos profissionais, marca o fim do militarismo das castas, do militarismo profissional. A enorme maioria dos oficiais italianos veio da vida civil com a militarização. Todos os quadros subalternos são formados por tenentes e alferes milicianos que se batem e morrem como heróis... " escreveno seu Diário de Guerra - misturando as reflexões sobre a vida no Exército e a mecanização da Guerra moderna, com evocações dos Natais da Infância e uma certa melancolia. "Neve, frio, aborrecimento infinito. Ordem, contraordem, desordem".

Em Fevereiro de 1917, Mussolini é ferido gravemente; hospital, convalescênça passam-se nesse ano decisivo entre todos na História do Mundo em que a Revolução avança na Rússia e que o slogan de "paz imediata" é espalhado pela Terceira Internacional que se prepara para cumprir o objectivo leninista "transformar a guerra burguesa em guerra civil, em guerra contra a burguesia."

Em Turim, em Agosto, rebenta uma violenta insurreição, reprimida severamente: 50 mortos, 200 feridos e 1 500 prisões... Mas o derrotismo é forte nas fileiras e para o reforçar contribui a incompetência do Alto-Comando Italiano, bem expressa no desastre de Caporeto - 40 mil mortos, 90 mil feridos mais de 300 mil prisioneiros, outros tantos fugitivos, que em Novembro de 1917 deixa a Itália exposta à invasão.

Depois de Caporeto, impõe-se um espírito de "salvação nacional", um "Tigre" como Clemenceau. Mussolini faz-se eco deste sentimento ("Nós que quisemos a Guerra, devemos conquistar o poder... Peço homens terríveis. Peço um homem terrível, que tenha energia de tudo quebrar, a coragem de punir e de ferir sem hesitação, e tanto mais fortemente quanto o culpado esteja altamente colocado (...) Hoje devemos enfrentar o problema da qualidade... Nós, jovens, nunca me canso de o repetir, cometemos um erro grave: metemos a nossa juventude nas mãos dos velhos").

Em Outubro de 1918 inicia-se a ofensiva na Venetia que levará ao triunfo de Vittorio Veneto e ao armistício de 4 de Novembro com os Austríacos. Golpe por golpe, a honra estava salva e, com o ritual ancestral, em Milão a multidão aclamava em 10 de Novembro os soldados vencedores.

Enquanto os vivos festejavam, certa melancolia invade o País... 600 mil mortos, um milhão de feridos, dos quais 220 mil mutilados. E os custos financeiros e a perda da maioria da Marinha Mercante, e a desolação e morte dos desastres da Guerra.

Na hora da Vitória, Mussolini arenga aos arditi, de punhal e bandeira na mão; combatente, festejado pelos combatentes, regressa noite alta ao Popollo d' Itália para escrever o editorial. E nessa noite do Outono milanês, ele sabe, como alguns outros que "A vida como antes já não é mais possível"...

Milão, Domingo, 23 de Março de 1919; no número 9 da Piazza San Sepolcro, 119 pessoas numa reunião presidida pelo romântico e radical Ferruccio Vecchi; lançam-se as bases programáticas e o estilo dos Fasei de Combatimento: irredentismo e revindicação nacionalista; sufrágio universal proporcional, voto para as mulheres; referendum e voto popular; dissolução das sociedades anônimas; confiscação dos bens das congregações religiosas; dia de trabalho de oito horas; salário mínimo, controle e cogestão operários; reforma agrária; estes são alguns dos pontos deste programa "muito à esquerda" e que ficará sempre, para a velha guarda fascista revolucionária, o Eldorado traído pelas exigências de estratégia da conquista do Estado, pela conciliação com os poderes conservadores depois da vitória.

Estes fasei de combatimento irão crescer rapidamente, nos anos seguintes, sobretudo entre antigos combatentes e jovens universitários: em finais de 1920 haverá 88, com 20.165 membros; em 1921 serão 834 com 249.036 membros; e em finais de 1922, na ocasião da marcha sobre Roma serão 3424 com 299.876 membros. Mas, mais que a quantidade, o fenômeno será qualitativo e, sobretudo, inaugurará um novo estilo. Os acontecimentos de Milão em Abril de 1919, são nesta matéria exemplares.

Em 13 e 14, manifestantes socialistas ocupam praticamente o centro da cidade; além de atacarem edifícios públicos, enfrentam-se com a força pública. Marinetti, o chefe-de- fila dos futuristas, dirige-se à sede do Popolo d' Itália e informa Mussolini que será melhor entrincheirar-se no jornal e preparar-se para repelir um ataque dos socialistas, cujo slogan é "É preciso incendiar o Popolo d' Itália e pendurar Mussolini". Rapidamente, Mussolini e Ferruccio Vecchi organizam a defesa; Vecchi recorre ao grupo de autodefesa dos oficiais locais, juntando 150 homens; mais 300 oficiais alunos do Politécnico, comandados pelo Tenente Chiesa, juntam-se a este núcleo.

Na tarde de 15, cerca de 20 mil socialistas marcham em direção ao Popolo d'Itália; os fascistas armados, dirigidos por Vecchi, Marinetti e Pina, vão ao seu encontro, travando-se uma verdadeira batalha de rua, com tiros, matracas e punhos; os fascistas têm 3 mortos e 150 feridos mais ou menos graves; os socialistas não tornaram públicas as suas perdas, que são entretanto mais graves.

Vecchi e o seu comando de arditi decidem, com uma centena de homens, atacar e incendiar o Avanti, na Via San Damiano. E fazem-no, apesar da oposição das tropas e dos socialistas de guarda. O jornal é saqueado, destruído e incendiado.

E assim começa a Guerra Civil

No quadro das forças políticas, o aparecimento dos popolari de Don Sturzo, marca o fim do absentismo católico e os primeiros passos da democracia cristã; em Outubro de 1919, no décimo quarto Congresso do PSI em Bolonha, os marximalistas revolucionário de linha leninista vencem os reformistas moderados... Trata-se de um aventureirismo revolucionário, sem contato com a realidade, sem atender a condições objectivas, sem querer alianças. O jovem Gramsci, cético, escreve em Ordine Nuovo, depois da vitória de Giacinto Serreti: "A conquista do Estado pelos proletários só será possível quando os operários e os camponeses tiverem criado um sistema de instituições capaz de se substituir às instituições do Estado democrático-parlamentar..."

O primeiro Congresso Fascista, em Florença, é também marcado pelo maximalismo e pelo revolucionarismo: ataques à Monarquia e ao Vaticano, um programa de confiscações dos lucros de guerra, de política fiscal radical sobre as heranças e as rendas, de secularização do Estado, de reforma revolucionária das instituições militares, criando a "Nação em Armas".

Nas eleições de Novembro, os resultados são favoráveis aos socialistas extremistas, que elegem 156 deputados nos 530 do Parlamento; aos liberais que recebem 129; e aos "populares" que conseguem 103; para os fascistas é o desastre.

No rescaldo da derrota, os socialistas passeiam por Milão, em mascarada, os caixões de Mussolini, de Marinetti e de D' Anunnzio; Mussolini é detido e posto a seguir em liberdade; o ano de 19 acaba para ele na maior desolação, apesar do entusiasmo despertado pela expedição poético-militar de D' Anunnzio a Fiume.

1920 é o ano crucial; o maximalismo e a violência socialistas, assustam a classe média nas cidades e os pequenos agricultores nos campos. Assim, um pouco por toda a Itália, ao constituírem pólos de resistência ativa as squadre fascistas, geralmente chefiadas por ex-oficiais milicianos, ganham força na província e sobretudo, nas zonas de irredentismo como na Istria, Carso e Gorizia. Por outro lado, nos recontros entre os socialistas e as forças da ordem, entre Abril de 1919 e Abril de 1920, enquanto os socialistas contam com 145 mortos e 444 feridos, as forças policiais e militarizadas registam perto de 1.000 mortos e 3.000 feridos. A violência da esquerda é, nesta época, uma realidade.

E no Outono-Inverno de 1920, a violência generaliza-se a toda a Itália; nas fileiras fascistas, aos velhos sindicalistas e nacionalistas, juntam-se Italo Balbo e Dino Grandi; o primeiro organiza em Ferrara uma Aliança de defesa cívica - uma verdadeira condotta de homens violentos e destemidos que lançam o terror entre a esquerda da região; Grandi, patriota, republicano, anticlerical e sindicalista, é um nietzschiano, cujas influências entroncam em Sorel, em Prezzolini, e sobretudo em D' Anunnzio e na aventura heroico-rocambolesca de Fiume, e nos princípios da Carta de Carnaro.

Viragem "à direita" e triunfo

A nova vaga fascista encontra a sua confirmação eleitoral nas eleições de 15 de Maio de 1921. Trinta e cinco fascistas entram no Parlamento, entre os quais Mussolini, que recolheu 124.918 votos em Milão e (apresenta-se por dois círculos) 172.491 votos em Bolonha. E Grandi, Balbo, Bottai, De Vecchi, Farinacci e outros futuros hierarcas do Vintennio são também eleitos. Na escolha dos lugares do hemiciclo, simbolicamente, Grandi pretende que os fascistas se sentem na extrema esquerda, que sejam a Montanha da Esquerda. O Duce opta pela extrema-direita, para defrontar socialistas e comunistas...

Mussolini muda crucialmente de táctica e de discurso; falando no Parlamento, afirma-se "liberal" em economia: "É preciso abolir o Estado colectivista, tal como a guerra no-lo transmitiu pela necessidade, e voltar ao Estado manchesteriano" e elogia a Confederação Geral do Trabalho , "que se conservou patriota como o fascismo"; defende reformas sócio-laborais profundas mas afirma-se hostil "a todas as tentativas de socialização, de estatismo e de colectivismo"; também o ateu militante e o livre pensador deu lugar a um respeitabilíssimo agnóstico que proclama que a "tradição latina e imperial de Roma é representada hoje pelo catolicismo (...) que a única ideia universal hoje existente em Roma emana do Vaticano...".

E, ao fechar, o segundo Mussolini, volta-se para socialistas e comunistas... "Para nós, a violência não é um sistema, não é um desporto... Estamos dispostos a desarmar-se... vós desarmardes por vossa vez, sobretudo os espíritos...".

O discurso que marca a ruptura com o fascismo revolucionário, romântico, marginal e niilista do pós-guerra é uma ponte para o fascismo nacionalista, autoritário e conservador do futuro regime, é, no plano da estratégia, uma carta de respeitabilidade, moderação e equilíbrio, que, desagradando profundamente aos jovens como Balbo, Grandi e Farinacci, representa um tranquilizante e um presente envenenado para os seus inimigos a quem oferece, pura e simplesmente, uma trégua e a pacificação. Estas são formalmente acordadas em 2 de Agosto, na Câmara, entre socialistas e fascistas apesar de alguns dias antes, em Sarzana, numa emboscada armada a um desfile fascista, os socialistas e a polícia terem morto 20 fascistas e ferido mais de 100, sem em contrapartida terem tido baixas.

E é a crise, dentro do movimento; os fascios de Bolonha, Ferrara, Cremona, Modena, Rovigo, Piacência, Forli e Veneza afirmam-se completamente adversos e não vinculados pelo acordo de pacificação. Objectivando este espírito, e para comemorar o seiscentésimo aniversário da morte de Dante, os fascistas radicais organizam uma marcha sobre Ravena, com 3.000 homens em formação de combate, que aterrorizam os socialistas, destruindo centros políticos e sedes inimigas.

O Congresso de Roma em Novembro, reúne mais de 20 mil delegados, representando um efetivo de 250 mil membros dos fascios, cuja repartição sócio-profissional é calculada nos seguintes termos: cerca de 100 mil pertencem às classes médias (proprietários rurais, estudantes, comerciantes, funcionários, profissões liberais, professores) e dos restantes uns 80 mil são trabalhadores agrícolas e cerca de 60 mil, operários industriais.

Mussolini e Grandi defrontam-se teórica e estrategicamente: o primeiro defendeu uma linha que se poderá dizer de abertura à direita, de aliança com os nacionalistas e conservadores, de liberalização econômica; o segundo insistirá na linha do primeiro fascismo. Mas, na grande questão em disputa, o pacto de apaziguamento, Mussolini cede a Grandi, e afirma que tal pacto "pertence ao passado, não é senão um episódio retrospectivo". E, além da reconciliação entre os dois homens, o décimo primeiro congresso sanciona a transformação do movimento dos faschos de ação revolucionária em Partido Nacional Fascista.

Mussolini à frente das Squadre d'Azione na Marcha Sobre Roma em 28 de outubro de 1922

Menos de um ano depois, em Outubro de 1922, seria a Marcha sobre Roma, uma operação político-militar de assalto ao Poder em que, um grupo dotado de vontade, disciplina, unidade estratégica e filosofia de ação, jogando magistralmente com as divisões e as contradições dos seus inimigos, triunfaria do velho sistema liberal, incapaz de conter, por mais tempo, as paixões nacionais e sociais que a Guerra e a "vitória traída" tinham trazido à Itália. 

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