domingo, 8 de março de 2015

Os soldados brasileiros de Hitler

Irmãos brasileiros que lutaram ao lado dos alemães

Houve soldados alemães de Vargas? Irmãos brasileiros que lutaram pela Alemanha e voltaram ao Brasil, com certeza. No Brasil a conjuntura anterior à guerra é marcada pela campanha oficial de combate aos "quistos" de estrangeiros "inassimiláveis" à cultura brasileira, dentro do projeto de nacionalização que o regime Vargas (1930–45) adotou. Uma das dimensões dessa nacionalização forçada foi o recrutamento deliberado de descendentes de alemães para as nossas Forças Armadas, tidas como reduto das virtudes cívicas e patrióticas nacionais.

Contudo, houve casos recorrentes de indivíduos de ascendência alemã que se alistaram como voluntários para lutar em nosso exército na Segunda Guerra Mundial, no intuito deliberado de provar que eram "verdadeiros" brasileiros. Afinal de contas, o lema oficial da campanha de nacionalização era "quem nasce no Brasil ou é patriota ou é traidor". É significativo que os dois maiores heróis da Força Expedicionária Brasileira sejam justamente dois destes indivíduos: o sargento Max Wolff Filho e o tenente Ary Weber Rauen.

UM estudo recente do professor da Universidade do Paraná mostra que centenas de soldados de ascendência alemã, nascidos no Brasil, lutaram pela Alemanha.


Condecorações de um dos combatentes

Em Os Soldados Brasileiros de Hitler, o professor Dennison de Oliveira entrevistou diversos cidadãos brasileiros de ascendência alemã que lutaram pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo o estudo sobre cidadania e nacionalidade entre teuto-brasileiros, cerca de 3 mil brasileiros residentes na Alemanha durante a Segunda Guerra foram repatriados até o primeiro semestre de 1949.

Acredita-se que o número dos soldados brasileiros que lutaram pela Alemanha pode chegar a várias centenas. 

Tratava-se de filhos de famílias alemãs nascidos no Brasil. Alguns destes indivíduos retornaram à Alemanha para estudar ou trabalhar, geralmente com suas famílias. Outros, atenderam ao chamado ariano convocado pela Alemanha através do mundo, chamando a participar do esforço de guerra nacional contra os inimigos da Europa. Visto que a política varguista havia rompido com a Vaterland e censurados brutalmente, muitos jovens retornaram ao país. Com a eclosão da guerra viram-se impossibilitados de retornar ao Brasil. Ao atingirem a idade de recrutamento foram convocados pelas Forças Armadas Alemãs e engajados em combate na Segunda Guerra Mundial.


Hoje é impossível determinar exatamente quantos indivíduos passaram por esta experiência, mas o número seguramente atingiu muitas centenas.

Existe pelo menos um caso comprovado de família de origem alemã residente no Brasil que teve um filho que lutou no exército brasileiro e outro no exército alemão. Mas é claro que esse caso pode não ser o único.

É bem possível que brasileiros tenham lutado contra brasileiros na Segunda Guerra. No recém-lançado livro “Os  soldados brasileiros de Hitler” (Editora Juruá), o historiador Dennison de Oliveira sugere, com base no número de repatriados da Alemanha para o Brasil entre 1946 e 1949.

É provável, portanto, que alguns tenham enfrentado tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, embora não se conheçam registros oficiais.

Apesar do tabu acerca do tema, o professor da Universidade Federal do Paraná decidiu investigar a história desses indivíduos que prestaram serviço militar para o inimigo. A idéia surgiu a partir de um trabalho de Oliveira e seus alunos no Museu dos Expedicionários em Curitiba. Ao conhecerem a história de alemães que lutaram na guerra pela FEB, se questionaram se o contrário também teria ocorrido.



A resposta foi sim. Através do autor de um polêmico livro revisionista, Oliveira teve acesso a seis brasileiros que foram “soldados de Hitler”. Entrevistou quatro integrantes do exército alemão e dois membros da Juventude Hitlerista, incumbida do resgate de feridos, desabrigados e corpos durante a guerra.

“Por razões óbvias, a experiência de vida desses indivíduos, suas memórias e vivências, ficaram até recentemente silenciadas. O tabu contra os indivíduos que prestaram serviço militar sob a "bandeira do inimigo".

Para atribuir à casa das centenas o número de soldados brasileiros que lutaram pela Alemanha, Oliveira baseou-se nos relatos do coronel do Exército Brasileiro Aurélio de Lyra Tavares, comandante do escritório da Missão Militar Brasileira aberto em Berlim em março de 1946.

De acordo com o coronel, antes mesmo de iniciados os trabalhos, a repartição já havia recebido um volume substancial de pedidos de brasileiros que pleiteavam repatriação para o Brasil. Quando o escritório abriu suas portas, havia filas permanentes em torno do prédio. Ao fim das atividades da Missão em dezembro de 1949, o coronel Tavares havia contabilizado o envio para o Brasil de 2.445 brasileiros e 2.752 estrangeiros, uma vez que o plano de repatriação incluía também os membros alemães das famílias.

Segundo o coronel Tavares, 83% dos pedidos referiam-se a brasileiros que haviam entrado na Alemanha entre 1938 e 1939 – período entre a anexação da Áustria e o início da guerra.

Oliveira explica que talvez jamais se saiba com exatidão quantos destes indivíduos eram do sexo masculino e se encontravam no grupo etário recrutável para o serviço militar pelo regime de Hitler. Mas, levando-se em conta que o ingresso na Juventude Hitlerista – organização que colaborava com o exército – era obrigatório a meninos e meninas a partir dos 14 anos, pode-se estimar em centenas o número de brasileiros que atuaram no Terceiro Reich.

Nascido no Brasil, "o americano" (no centro) se recusou a lutar contra brasileiros na frente italiana

De acordo com Oliveira, os brasileiros engajados pelas forças alemãs sempre agiram e lutaram como os outros alemães. O livro registra um caso único de um soldado que se recusou a lutar contra seus compatriotas brasileiros na Itália. O soldado apelidado pelos colegas de Der Amerikaner (o americano) tinha consciência de que podia se tornar responsável pela morte de antigos amigos recrutados pelo exército brasileiro e também sofrer represálias por ser um “traidor” do Brasil, caso fosse capturado.

Uma curiosidade é que a maior dificuldade dos combatentes ao voltar para o Brasil foi a falta do certificado de cumprimento das suas obrigações militares para com as Forças Armadas brasileiras, pré-requisito para o exercício da maior parte dos direitos civis. Segundo Oliveira, eles contornavam o problema cumprindo penalidades leves, como o pagamento de uma multa, ou recorrendo a soluções informais.

Com a publicação, que resultou de uma pesquisa sobre cidadania e nacionalidade entre teuto-brasileiros no período 1919-2004, o professor espera incrementar a historiografia da segunda guerra do ponto de vista de quem a perdeu, contribuindo para o conhecimento sobre diferentes dimensões sociais e humanas do conflito.

“A validade do exame e preservação desse tipo de memória sempre foi amplamente reconhecida: os testemunhos daqueles que viveram, trabalharam e – neste caso – lutaram pelo III Reich pode nos fornecer pistas importantes para o entendimento de uma série de eventos que tornaram "o nazismo" e a Segunda Guerra Mundial possibilidades históricas”, acrescenta.

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4 comentários:

  1. Estão derrubando seus murais camarada? Lógico, os narigudos deformados não aceitam que a oposição mostre ao mundo a sujeira dessa raça suja e maldita.

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  2. É realmente um orgulho saber que existiam brasileiros que não eram manipulados pelo judaísmo e por aquele canalha do Getúlio Vargas, outro lambe bolas de judeu. Como teria sido tudo diferente se nós tivéssemos ficado do lado do Eixo ao invés de termos ficado do lado da corja que defendia os narigudos deformados e sujos dos judeus.

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    1. Talvez o Brasil estaria mais fodido ainda se tivéssemos entrado no eixo

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  3. O Brasil poderia manter a neutralidade e não ceder as bases para os EUA.

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