segunda-feira, 5 de junho de 2017

Keith Preston - Quando o Fascismo era "de Esquerda"

Fasci di combattimento. Squadra d'azione di Lucca, Itália. (1922)

Por Keith Preston

O modelo convencional de espectro político “esquerda/direita” coloca o Fascismo e o Marxismo como pólos opostos. Marxismo é considerado uma ideologia de extrema-esquerda enquanto o fascismo supostamente representa o mais “direitista” que alguém pode ser. Um título recentemente traduzido ao inglês pela editora Finis Mundi de Portugal, o Fascismo Revolucionário, de Erik Norling, faz muito bem em apontar que a classificação do Fascismo – como concebido por Mussolini e seus asseclas – como direita política deve ser questionada.

Esta obra foi originalmente impressa em 2001 e o autor, Norling, historiador e advogado, é um sueco que vive na Espanha. Norling observa que desde a juventude até a Primeira Guerra Mundial, Mussolini era tão esquerdista como qualquer contemporâneo seu (como por exemplo Eugene V. Debs). Era o que mais tarde viria a ser conhecido como “red diaper baby” (Nota do Tradutor: bebê das fraldas vermelhas – o que significava ser filho de socialistas revolucionários). Quando jovem, Mussolini era marxista, um anticlericalista fervoroso e foi até a Suíça para fugir do serviço militar, além de ser preso por incitar greves militantes. Eventualmente, se tornou um líder no Partido Socialista da Itália e foi preso novamente em 1911 por suas atividades anti-belicistas com relação à invasão italiana na Líbia. Mussolini era um socialista tão proeminente à esta altura de sua carreira que chegou a ser elogiado por Lenin, que o considerava o homem certo para o futuro estado socialista italiano.

Pela análise do texto, a autora parece se referir com "Mussolini era tão esquerdista como qualquer contemporâneo seu..."  vê-se que para ter coerência no texto, ela deveria estar se referindo mais a "anti-conservador" ou "anti-reacionário", mas creio que suas convicções a impossibilitaram. Caso contrário não faria sentido o manuscrito nessas partes. Porém, ficará também a cabo do leitor interpretar. - NT

Quando iniciou-se a Primeira Guerra Mundial em 1914, Mussolini inicialmente manteve a política anti-belicista do Partido Socialista italiano, mas nos meses seguintes mudou para uma posição pró-belicista que acabou com a sua expulsão do partido. Ele então alistou-se no exército e italiano, e foi ferido em combate. As razões da mudança de Mussolini de uma posição anti-belicista para uma posição pró-belicista são essenciais para entender as verdadeiras origens e a natureza do fascismo e o seu lugar dentro do contexto da história política e intelectual do século XX. Mussolini passou a ver a guerra como uma luta anti-imperialista contra a dinastia dos Habsburgo no Império Austro-húngaro. Mais, considerava a guerra como uma batalha anti-monarquista contra as forças conservadoras como os Habsburgos, os turcos otomanos, os Hohenzollern da Alemanha, e atacava estes regimes como inimigos reacionários que haviam reprimido o socialismo. Mussolini também acreditava profeticamente que a participação da Rússia na guerra poderia enfraquecer esta nação a ponto de torná-la suscetível à revolução socialista, o que de fato aconteceu. Em outras palavras, Mussolini via a guerra como uma oportunidade para avançar as batalhas revolucionárias da esquerda na Itália e fora dela.

As fasci di combattimento, militâncias do fascismo, não deixam dúvidas sobre as raízes socialistas da ideologia: dentre outras requisições, a carga horária de 8 horas, o salário mínio, a participação operária no funcionamento técnico da indústria, a confiança de gestão da indústria e dos serviços públicos às organizações proletárias, a nacionalização de fábricas, tributação progressiva, a expropriação de riqueza, o confisco dos bens da Igreja.

Quando o movimento fascista italiano foi fundado em 1919, a maioria dos seus líderes e teóricos eram, como o próprio Mussolini, ex-marxistas e outros esquerdistas radicais como os proponentes das doutrinas sindicalistas revolucionárias de Georges Sorel. Os programas oficiais criados pelos fascistas, traduções que se encontram no livro de Norling, refletiam uma mistura de idéias socialistas e republicanas que estariam em comum com qualquer grupo esquerdista europeu da época. Se as evidências indicam que o fascismo tem suas origens na extrema esquerda, então de onde vem a reputação do fascismo como uma ideologia de direita?

Alguns exemplos de influências de Mussolini são o niilista Nietzsche, o marxista Péguy, e os sindicalistas revolucionários Sorel e Lagardelle.

A resposta parece ser uma combinação de três fatores primários: propaganda marxista que acabou se misturando à historiografia mainstream, a revisão da doutrina revolucionária esquerdista pelos próprios líderes fascistas, e o inevitável compromisso e acomodação do fascismo após atingir o poder estatal de fato. Com relação ao primeiro, David Ramsay Steele descreveu a interpretação marxista padrão do fascismo em um importante artigo sobre a história do fascismo:

"Nos anos 30, a percepção do “fascismo” no mundo anglófono mudou de uma novidade italiana exótica, até mesmo chique, para um símbolo multiuso daquilo que é mal. Sob a influência dos escritores esquerdistas, uma visão do fascismo foi disseminada e permanece dominante entre intelectuais até hoje. É mais ou menos assim:
Fascismo é o capitalismo sem máscara. É uma ferramenta do Grande Capital, que governa através da democracia até que se sinta mortalmente ameaçado, e então liberta o fascismo. Mussolini e Hitler foram colocados no poder pelo Grande Capital, porque o Grande Capital foi desafiado pela classe trabalhadora revolucionária. Temos naturalmente que explicar, então, como o fascismo pode ser um movimento de massas, e um que não é nem liderado nem organizado pelo Grande Capital. A explicação é que o fascismo o faz através de um uso amigavelmente esperto do ritual e do símbolo. Fascismo como uma doutrina intelectual é vazio de conteúdo sério, ou alternativamente, seu conteúdo é uma mixórdia incoerente. O apelo do fascismo é uma questão de emoção e não de idéias. Se sustenta no canto dos hinos, no balanço das bandeiras e outras palhaçadas que não são mais do que dispositivos irracionais empregados pelos líderes fascistas que foram pagos pelo Grande Capital para manipular as massas."

Esta percepção continua a ser a “análise” esquerdista padrão do fascismo mesmo nos tempos modernos. Eles fazem um longo e tortuoso caminho para explicar porque, por exemplo, os movimentos ou figuras políticas americanos que não tem absolutamente nada a ver com o fascismo histórico (como o Tea Party, os porta-vozes neoconservadores da Fox News ou programas de rádio conservadores) continuam a receber o rótulo de “fascistas” por esquerdistas.

A realidade das origens fascistas é bem diferente. Seus criadores eram típicas figuras políticas e intelectuais esquerdistas cujo ponto comum era o entendimento de que o marxismo era uma ideologia falha. Como Steele observou:

"O fascismo começou como uma revisão do marxismo por marxistas, uma revisão que se desenvolveu em estágios sucessivos, de tal modo que tais marxistas gradualmente pararam de ver-se como marxistas, e eventualmente pararam de ver a si mesmos como socialistas. Mas nunca pararam de se ver como revolucionários antiliberais. 
A Crise do Marxismo ocorreu nos anos de 1890. Intelectuais marxistas podiam clamar falar pelos movimentos de massas ao longo da Europa continental, mas ficou claro naqueles anos que o marxismo havia sobrevivido a um mundo que Marx acreditava impossível. Os trabalhadores estavam enriquecendo, a classe trabalhadora estava fragmentada em grupos com interesses distintos, o progresso tecnológico estava avançando em vez de encontrando obstáculos, a taxa de lucro não estava caindo, o número de investidores ricos (“magnatas do capital”) não estava diminuindo mas aumentando, a concentração industrial não estava aumentando, e em todos os países os trabalhadores estavam colocando o seu país acima da sua classe."

Os primeiros fascistas eram ex-marxistas que acabaram duvidando do potencial revolucionário da guerra de classes, mas tinham simultaneamente chegado à conclusão de que o nacionalismo revolucionário era promissor. Como Mussolini enfatizou em um um discurso em 5 de dezembro de 1914:

"A nação não desapareceu. Acreditávamos que o conceito de nação era totalmente sem substância. Mas em vez disso vemos uma nação erguer-se como uma realidade palpitante diante de nós!… A classe não pode destruir a nação. A classe se revela como uma coleção de interesses – mas a nação é a história de sentimentos, tradições, língua cultura e raça. A classe pode se tornar parte integrante da nação, mas uma não pode encobrir a outra. A guerra de classes é uma fórmula vã, com efeito e consequência onde quer que se encontre um povo que não se integrou a seus próprios confins linguísticos e raciais – onde o problema nacional não foi resolvido definitivamente. Nestas circunstâncias o movimento de classe se encontra enfraquecido por um clima histórico inóspito."

A Carta del Lavoro, aprovada em 1927, é o reflexo do intervencionismo esquerdista das fasci d’azione internazionalista e do sindicalismo revolucionário das fasci di combattimento. Obra prima do sindicalismo fascista, é a fonte inspiradora da nossa Carteira de Trabalho.

O fascismo abandonou a guerra de classes por uma revolução nacionalista que pregava a colaboração das classes sob a liderança de um estado forte e capaz de unificar a nação e acelerar o desenvolvimento industrial. Realmente, Steele fez uma observação interessante das semelhanças entre os movimentos de “libertação nacional” italianos e latino-americanos marxistas da segunda metade de século XX:

"A lógica que permeia a sua mudança de posição era a de que infelizmente não haveria revolução da classe trabalhadora, fosse nos países desenvolvidos, fosse nos menos desenvolvidos como a Itália. A Itália estava só, e o problema de Itália era pouca produção industrial. A Itália era uma nação proletária explorada, enquanto os países mais ricos eram nações burguesas e envaidecidas. A nação foi o mito que poderia unir as classes produtivas por trás de um movimento para expandir a produção. Estas idéias são o presságio da propaganda do Terceiro Mundo da década de 50 e 60, na qual as elites em países economicamente atrasados representavam seu próprio governo como “progressista” porque aceleraria o desenvolvimento do Terceiro Mundo. De Nkrumah a Castro, os ditadores do Terceiro Mundo seguiriam os passos de Mussolini. O fascismo foi um mero jogo de treino para o Terceiro-mundismo pós-guerra."

Mussolini e sua política são de certa forma as bases do caudilhismo terceiro-mundista. O estado forte, o culto ao líder, o sindicalismo, o populismo, o intervencionismo e protecionismo econômico e o autoritarismo são suas características comuns.

Durante seus vinte e três anos no poder, o regime de Mussolini certamente fez consideráveis concessões aos interesses tradicionalmente conservadores como os da monarquia, das grandes corporações, da Igreja Católica. Estas acomodações pragmáticas nascidas da necessidade política estão entre as evidências tipicamente expostas por esquerdistas como indicadores da natureza “direitista” do fascismo. No entanto há abundantes evidências de que Mussolini permaneceu essencialmente socialista durante toda a sua vida política. Em 1935, treze anos após alcançar o poder na Marcha Sobre Roma, setenta e cinco por cento da indústria italiana tinha sido nacionalizada ou colocada sob intensivo controle estatal. De fato, foi no final de sua vida e de seu regime que as políticas econômicas de Mussolini atingiram o seu pico de esquerdismo.

Após perder o poder por alguns meses durante o verão de 1943, Mussolini voltou como chefe de estado da Itália com auxílio alemão e fundou aquilo que ele chamou República Social Italiana. O regime subsequentemente nacionalizou todas as empresas com mais de cem operários, distribuiu terras e testemunhou um número de proeminentes marxistas entrando no seu governo, incluindo Nicola Bombacci, o fundador do Partido Comunista e um amigo pessoal de Lenin. Estes eventos são descritos em considerável detalhe na obra de Norling.

Nicola Bombacci
Engana-se quem acha que o fascismo está morto. Tal qual o comunismo, ele permanece vivo e ativo. Falangistas, nacional-bolchevistas, strasseristas e mesmo muitos grupos auto-declarados “anti-fascistas” são na verdade movimentos nacional-sindicalistas adeptos das mesmas idéias do antigo Partido Nacional Fascista Italiano. Mesclando elementos do nacional-socialismo, do bolchevismo e do anarquismo, os fascistas buscam angariar cada vez mais adeptos com seu discurso populista. Basicamente, é a mesma estratégia que outrora usaram para colocar marxistas, socialistas e social-democratas em suas fileiras.

Ao que parece a rivalidade histórica entre marxistas e fascistas é menos um conflito entre esquerda e direita, e mais um conflito de outrora irmãos na esquerda. Não seria nenhuma surpresa , dada a tendência de agrupamentos de esquerda radicais para vinganças sectárias. Na verdade, pode-se plausivelmente demonstrar que o “anti-fascismo” da esquerda está enraizado como a inveja de um parente mais bem-sucedido, mais do qualquer outra coisa. Como Steele comentou:

"Mussolini acreditava que o fascismo era um movimento internacional. Ele esperava que tanto a democracia burguesa decadente quanto o marxismo-leninismo dogmático iriam dar lugar ao fascismo em todos os lugares, que o século vinte seria um século de fascismo. Como seus contemporâneos esquerdistas, ele subestimou a resiliência tanto da democracia como do liberalismo. Mas em essência a previsão de Mussolini se cumpriu: a maioria dos povos do mundo na segunda metade do século XX era governada por governos que na prática estavam mais próximos do fascismo do que do liberalismo ou do marxismo-leninismo. O século XX foi com certeza o século fascista".

Fonte: Legio Victrix 

Artigo disponível na sessão: História Geral

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Cartaz italiano da década de 1930 (1)
Por Robert Edwards

No século XX nenhum conjunto de idéias foi mais vilipendiado e mal-compreendido do que o do fascismo. O fascismo do pré-guerra foi representado, através das maquinações da mídia social-democrata e de inúmeras obras de comentário político, como um sistema político baseado na opressão reacionária... a antítese de tudo que é bom e necessário para o progresso humano. No presente momento parece que suas origens têm sido ignoradas e ele agora é empregado como um epíteto abusivo para o propósito de difamar oponentes políticos, a maioria dos quais não o merecem. Um grau de culpa reside na perpétua polarização da política em batalhões de "esquerda" e "direita", na qual todas as tonalidades de pensamento político são consideradas apenas nesses termos simplórios.

O propósito desse artigo é explorar as razões pelas quais o fascismo não se encaixa convenientemente dentro do espectro da política "ortodoxa" e demolir os equívocos vigentes. Primeiramente, é um erro imbecil considerar o fascismo autêntico como reacionário ou "direitista". Em verdade, os principais protagonistas do credo fascista na década de 1930, Benito Mussolini e Sir Oswald Mosley na Grã-Bretanha, eram originalmente da esquerda socialista. Na Espanha, José Antonio Primo de Rivera, o líder falangista, após seu encarceramento pelos Republicanos antes da Guerra Civil, conclamou seus seguidores na Falange Española a NÃO se unirem aos conservadores tradicionais e ao Exército. Muito após a morte de Primo de Rivera, o movimento falangista foi diluído por Franco e quaisquer vestígios do velho espírito revolucionário foram erradicados de modo a agradar a Igreja Católica e as Forças Armadas. Na era pós-guerra, Juan Perón assumiu poder na Argentina quase inteiramente com o apoio dos trabalhadores que são geralmente considerados como o núcleo da Esquerda. Consequentemente, seu tipo de fascismo era muito similar ao nacional-socialismo puro de Gregor Strasser no sentido de que era baseado no proletariado. Em absoluto, o fascismo autêntico tinha muito pouco em comum com o conservadorismo tradicional e com tudo que é englobado pela "Direita", na medida em que seus expoentes eram homens comprometidos com um novo mundo de reformas sociais e econômicas em larga escala.

(esquerda para direita) Juan Perón, presidente argentino em 1946, o espanhol Primo de Rivera e o líder inglês Sir Oswald Mosley

Para ser apropriadamente compreendido, o fascismo tem que ser visto dentro do contexto daquele período após a Primeira Grande Guerra. O fascismo foi o produto do horror de 1914-1918. A erupção de 1914 foi a consequência de uma doença profundamente enraizada. A aparente tranquilidade do mundo civilizado era uma camada muito fina sobre forças ferventes, ocultas. A fé do Século XIX na ideia de "progresso" havia enfeitiçado o homem europeu com um falso senso de segurança. A Primeira Grande Guerra, veio como um grande choque e seus efeitos foram espiritualmente devastadores já que a grande era do "progresso sem fim" foi dramaticamente finalizada. Aquela guerra substituiu o otimismo com pessimismo e, consequentemente, liberou tudo aquilo que fervia sob uma velha ordem em seus últimos estertores. Após isso nada mais era garantido e o espírito da Europa foi lançado em confusão. O velho mundo falhou e o novo mundo da social-democracia não ofereceu quaisquer certezas reais. Aqueles mais traídos por estes eventos foram os soldados dos fronts que haviam testemunhado a insanidade da carnificina desnecessária e haviam, então, retornado a outro mundo de políticos prevaricadores que careciam da visão e da coragem de construir uma "terra digna de heróis". A partir das trincheiras nasceu o fascismo. O soldado conhecia a importância da união e da ação e trouxe isso com ele para o reino da política revolucionária.

Duas realidades históricas que afetaram grandiosamente o hemisfério Norte na época. Foto 1: Trincheira do exército alemão na Europa durante da Primeira Grande Guerra (1914 - 1918)

Foto 2: fila de desempregados em bairro de negros à frente de um cartaz de propaganda de automóveis nos Estados Unidos da América, 1929

O fascismo foi indubitavelmente revolucionário. Ao mesmo tempo diferia da "esquerda" e, particularmente, do marxismo em muitos aspectos vitais. Era anti-materialista e não envolvia um rompimento cataclísmico com o passado histórico do homem. As posições filosóficas do fascismo e do marxismo era as mais distintas. Como é sabido, o marxismo é intolerantemente e rigidamente dogmático. Comunistas muito austeros são inextricavelmente ligados ao evangelho de Karl Marx, aos comentários de Lênin e às máximas do "determinismo econômico", não deixando nada para o livre pensamento e observação empírica. Por outro lado, o fascismo estava liberado de dogmatismo e sua filosofia era uma de pragmatismo, ou seja, ele simplesmente perguntava se uma noção particular poderia ser usada e colocada para funcionar nos interesses da Nação. Fascistas, como soldados, não permitem que suas mentes se cristalizem ao redor de quaisquer fórmulas mais simplesmente as utilizam como hipóteses funcionais que, no evento de se tornarem prejudiciais, são facilmente descartadas. Esse pragmatismo dinâmico era a principal característica do fascismo e seu gênio. Com essa filosofia o fascismo liderou uma revolta contra todas as formas de idolatria frasal e sentimentalidade inútil que são todas inibidoras. As abstrações teóricas da social-democracia, "liberdade", "igualdade", e "direitos inalienáveis", foram atacadas pelo fascismo simplesmente porque eram abstrações. Elas eram palavras sem qualquer importância concreta e desprovidas de significado. Elas são usadas como objeto de adoração e, portanto, previnem a objetividade e o pensamento criativo. Dentro do contexto fascista o conceito de "direitos" possuía significado apenas quando conectado com serviço e dever, e assim o fascismo emergiu como uma revolta contra o culto das irrealidades para se tornar a força pelo realismo pragmático consistente com a nova era da ciência.

O Estado Corporativo foi uma tentativa de unir as muitas facções dentro da sociedade para o propósito de realizar o ideal da Nação Orgânica completamente abarcadora. Pôs um fim ao seccionalismo enfatizando o papel de indivíduos e organizações dentro do novo aparato estatal. O Estado Corporativo foi o catalisador para todos os elementos dentro da Nação, a reconciliação última das facções beligerantes, para a tarefa digna de construção e de alcançar ideais cada vez maiores. Longe de ser uma opressão, esse tema central da fé fascista considerava que apenas quando a Nação fosse livre de conflitos internos entre seus vários elementos, classe contra classe e capitalista contra trabalhador, poderia haver verdadeira liberdade para todos. Uma Nação que não é livre não pode dar liberdade ao povo.

O fascismo não era nem de "esquerda" nem de "direita", mas sim uma síntese de ideias acima daquelas que existiam. 

"Combina o impulso dinâmico para mudança e progresso com a autoridade, a disciplina e a ordem sem a qual nada grande pode ser alcançado" - Sir Oswald Mosley em "The Greater Britain".

Naquela frase pode-se detectar dois sentimentos que, quando ideias separadas, são de pouca relevância. A ideia de progresso, como Mosley explicou, é considerada como pertencente à esquerda enquanto a tradição da ordem é considerada como pertencendo à direita. Progresso não pode existir sem ordem ou estabilidade... e estabilidade não pode existir sem progresso e a necessidade de se adaptar a um mundo mutante. Separados eles trazem caos em um mundo onde ação é necessária. A síntese fascista, com realismo característico, era a única alternativa.

A acusação de que o fascismo era coercitivo é um daqueles equívocos trágicos que apenas servem para ilustrar o ódio e amargura daqueles que desprezam o heroico e visionário. O falatório sobre "ditadura" emana de pessoas que preferem a inércia cataléptica da social-democracia em contraste com a vontade dinâmica de ação do temperamento fascista. O termo "ditadura" não é sempre sinônimo com coerção. Por seu uso da palavra "ditadura" Mosley interpretou isso como "liderança" e na década de 30 ele explicou, 

"o fascismo não é ditadura no velho sentido daquela palavra, que implica governo contra a vontade do povo. O fascismo é ditadura no sentido moderno da palavra, que implica governo armado pelo povo com poderes para resolver problemas que o povo está determinado a superar". 

De modo a funcionar e dar certo o fascismo dependia da vontade do povo; sem aquela vontade não haveria Nação Orgânica. Nesse contexto o fascismo desviava do socialismo esquerdista no sentido de que a essência da ação fascista era baseada na liderança e na iniciativa e, na prática, era vista como sendo a liderança do povo com seu consentimento popular. Não tinha nada a ver com os controles castradores do socialismo nesse sentido, ao invés, o fascismo tendia a liderar e apenas intervir quando alguma seção ameaçava os interesses do todo orgânico.

A tragédia do fascismo foi que não lhe foi dada a chance de florescer. Uma segunda guerra desastrosa com toda a histeria e propaganda nublou a maior parte da verdade. O fascismo deve ser lembrado por seu dinamismo, seu heroísmo e sua visão durante um tempo em que algo novo era desesperadamente necessário para salvar o homem da auto-destruição. O fascismo encarou os fatos do mundo pré-guerra; e agora nós encaramos os fatos de um mundo que tem mudado muito rapidamente. Que nova força para o futuro pode inspirar esperança da mesma maneira que fez o fascismo tantos anos atrás?

NOTA: grifos e estruturação feitas pelos autores do site sem perder o conteúdo nem sentido do texto.

(1) - Foto de destaque: cartaz propagandístico feito pelo Ministério da Defesa Nacional Inspeção-Geral do Trabalho conclamava o operariado (povo e força de trabalho) a edificar a pátria italiana. O fascismo italiano de Benito Mussolini foi um dos mais conhecidos e expressivos governos fascistas e também mais lembrado até hoje. Apesar da forma deturpada

Fonte: Legio Victrix

Artigo disponível na sessão: História Geral

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segunda-feira, 8 de maio de 2017

8 de Maio - o dia do aprisionamento dos povos livres


Hoje, dia 8 de maio, para todo o mundo comemora-se a "libertação" da Europa e a vitória do bloco aliado junto aos soviéticos sobre as Forças do Eixo.  Mas para as muitas mulheres alemãs ainda vivas que vivenciaram esse dia, por exemplo, não foi bem assim.

Para elas remonta-se o passado tenebroso daquele dia, onde foram​ estupradas, até mesmo tendo seus filhos e filhas mortos covardemente pelos Soviéticos. 

Crianças e mulheres violadas, permanentemente abaladas e até mesmo psicologicamente atingidas.

"Sem a presença de seus maridos ou filhos, se tornariam presa fácil para o inimigo".

Não só alemãs. Mas Italianas, japonesas e até francesas que eram um povo aliado, foram violentadas em grande número por hordas de americanos "libertadores" que reduziram a outrora poderosa Europa Ocidental a mera vassala de Washington e trouxeram toda essa desgraça que aí está.

Houve muitos casos até mesmo de britânicas estupradas por soldados afro-americanos, mas esse assunto foi abafado para não prejudicar o esforço de guerra.

LEMBRE-SE deste massacre não divulgado.


Artigo disponível em: Especiais

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domingo, 7 de maio de 2017

Presidente Bachar Al-Assad, mensagem à América Latina: “Não acreditem no Ocidente”

imagem da entrevista concedida a imprensa sul-americana



TeleSur: Obrigado por nos receber, Sr. Presidente.

Presidente Bachar al-Assad: Sejam bem-vindos à Síria, o senhor e o canal TeleSur.

TeleSur: Comecemos pelo mais recente. Rússia tem advertido que é possível que novos ataques químicos forjados estejam sendo preparados. Como a Síria preparou-se contra isso?

Presidente Bachar al-Assad: Para começar, os terroristas, durante anos e em mais de uma ocasião e em mais de uma região em absolutamente toda a Síria usaram substâncias químicas. Por isso mesmo, pedimos à Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) que enviasse especialistas habilitados para investigar o que acontecia, mas cada vez que pedíamos os EUA impediam as investigações ou impediam que viessem as comissões de investigação. Semana passada, aconteceu novamente: quando exigimos que se fizessem investigações sobre o suposto uso de armas químicas em Jan Sheijun, EUA e aliados impediram que a resolução fosse aprovada na OPAQ.

Nós continuamos insistindo e tentando, com nossos aliados russos e iranianos, que aquela Organização envie uma equipe que investigue o que aconteceu. Porque se essa investigação não acontecer, os EUA repetirão outra vez e outra vez sempre a mesma farsa em torno do uso de armas químicas, (como “operação sob falsa bandeira”) em algum outro lugar da Síria, para acumular pretextos para intervir militarmente com o objetivo de apoiar o terroristas.

Isso, por um lado. Por outro lado, continuamos lutando contra os terroristas, porque o objetivo por trás do que dizem o ocidente e os EUA sobre armas químicas é conseguirem meios para dar apoio aos terroristas na Síria. Por causa disso, temos de continuar a combater os mesmos terroristas.

TeleSur: Segundo o Pentágono, seu governo ainda guarda armas químicas. A Síria conserva mesmo cerca de 1% dessas armas, apesar de se ter comprometido, há quatro anos, a entregá-las para serem destruídas?

Presidente Bachar al-Assad: Tanto o senhor como eu lembramos bem quando Colin Powell, em 2003, mostrou na ONU, diante de todo o mundo, um pequeno vidro no qual, segundo ele, estaria a ‘prova’ de que o presidente Saddam Hussein possuiria armas químicas, armas nucleares e outras. Quando as forças dos EUA já estavam dentro do Iraque, comprovou-se que os americanos mentiram.

Colin Powell reconheceu depois que a CIA o enganara com provas falsas. Mas não foi o primeiro caso, nem será o último. Quem queira ser político nos EUA tem de ser perfeito mentiroso e embusteiro. Mentir é uma característica dos políticos norte-americanos. Mentem todos os dias. Todos os dias dizem uma coisa e fazem outra. Por essa razão não se deve acreditar no que digam o Pentágono ou outros, porque só dizem o que sirva às políticas deles, não o que há na realidade nem os fatos em campo.

TeleSur: Com que finalidade a Síria interessa-se por comprar da Rússia sistemas antiaéreos de última geração?

Presidente Bachar al-Assad: Basicamente estamos em guerra com Israel. Desde que foi criado em 1948, Israel ataca os países árabes próximos. É normal portanto que tenhamos esses sistemas antimísseis. Os terroristas, como é óbvio, seguindo instruções de Israel, dos EUA, da Turquia, Qatar e Arábia Saudita, destruíram alguns desses sistemas e, portanto, é normal que negociemos com a Rússia para reforçar esses sistemas e poder fazer frente a qualquer ameaça aérea israelense ou enfrentar possíveis ameaças de mísseis dos EUA, muito prováveis agora, depois do recente ataque dos EUA contra o aeródromo de Shuayrat na Síria.

TeleSur: Que papel teve Israel na guerra que a Síria enfrenta? Já sabemos que continuaram os ataques nas últimas semanas contra posições do exército árabe sírio na Síria.

Presidente Bachar al-Assad: Israel desempenha seu papel de diferentes modos: primeiro, como agressão direta, sobretudo com aviação e artilharia ou mísseis lançados contra posições do exército sírio.

Por outro lado, Israel apoia os terroristas, de dois modos: primeiro, fornece armas; segundo, dá-lhes apoio logístico, ao permitir que organizem manobras atravessando regiões que Israel controla e garantindo-lhes ajuda médica em hospitais de Israel.

Não se trata aqui de especular. O que lhe digo são fatos comprovados, filmados, fotografados e divulgados na internet, que o senhor pode obter facilmente e que provam o apoio que Israel garante aos terroristas na Síria.

TeleSur: Como o senhor definiria a atual política exterior de Donald Trump no mundo e especialmente na Síria?

Presidente Bachar al-Assad: Não existem políticas de um ou de outro presidente dos EUA. O que há são políticas das instituições dos EUA que governam o sistema, a saber, a CIA, o Pentágono, as grandes corporações, as empresas que fabricam armas, as petroleiras e as grandes instituições financeiras, além de alguns lobbies que influem nas decisões dos EUA.

O presidente dos EUA apenas implementa essas políticas, e a prova está aí: quando Trump tentou tomar rumo diferente durante sua campanha eleitoral e já como presidente, nada pôde fazer. A ofensiva contra ele foi forte demais e, como vimos nas últimas semanas, ele já mudou completamente a linguagem e submeteu-se ao Estado Profundo. Por isso, tentar avaliar o presidente dos EUA no que tenha a ver com política exterior seria perda de tempo e meio irreal, porque se pode dizer qualquer coisa, mas ele só fará o que aquelas instituições e organizações ordenarem. Essa é a política que se mantém nos EUA há décadas e aí não há qualquer novidade.

TeleSur: Donald Trump tem agora outra frente aberta na Coreia do Norte. Isso poderia influir no modo como os EUA veem a Síria atualmente?

Presidente Bachar al-Assad: Não. Os EUA tentam sempre controlar todos os países do mundo sem exceção, não aceita aliados, sejam países desenvolvidos avançados de seu próprio bloco ocidental ou outros quaisquer. Todos os países teriam a obrigação de ser Estados satélites dos EUA. Por isso, o que acontece com a Síria, o que acontece com a Coreia do Norte, com Irã, com Rússia e possivelmente com a Venezuela agora, tem por objetivo restabelecer a hegemonia dos EUA sobre o mundo, porque os EUA creem que sua hegemonia estaria hoje ameaçada, e que isso ameaçaria os interesses das elites econômicas políticas nos EUA.

TeleSur: Está claro o papel de Rússia neste conflito, mas que papel teve a China, a outra grande potência internacional?

Presidente Bachar al-Assad: No que tenha a ver com Rússia e China, há grande cooperação em matéria de ação política, ou de postura política.

Há convergência nos pontos de vista e há cooperação no Conselho de Segurança da ONU. Como o senhor já sabe, os EUA tentaram várias vezes, junto com seus aliados, utilizar o Conselho de Segurança para legitimar o papel dos terroristas na Síria e para legitimar uma intervenção na Síria. A intervenção é ilegítima e constitui agressão. Por isso, China e Rússia estão unidas nessa questão, e o papel da China foi essencial, ao lado da Rússia, nessa questão.

Por outro lado, uma parte dos terroristas são de nacionalidade chinesa, chegados à Síria pela Turquia e representam ameaça aqui, para nós, sírios, mas também são ameaça para China, e os chineses estão conscientes de que o terrorismo em qualquer lugar do mundo desloca-se para outros lugares. Aqueles terroristas, sejam chineses ou de outras nacionalidades, podem deslocar-se para a China e atacar ali, como acaba de acontecer na Europa, na Rússia e como acontece na Síria. Mantemos atualmente cooperação com a China sobre assuntos de segurança.

TeleSur: Atualmente os meios de comunicação ocidentais e dos EUA, falam de terroristas moderados e de terroristas extremistas. Há mesmo alguma diferença desse tipo?

Presidente Bachar al-Assad: Para eles, terrorista moderado é o terrorista que mata, degola e assassina sem mostrar a bandeira da al-Qaeda e sem gritar "Alahu akbar". E terrorista extremista é quem mostra a bandeira ou, enquanto degola, grita “Alahu akbar", essa é a diferença. Para os EUA, qualquer um que sirva à sua agenda política contra qualquer outro país, mesmo que pratique as piores práticas de terrorismo é “opositor”, não terrorista; e “moderado”, não “extremista”, “combatente da liberdade”, não um criminoso que luta para destruir e sabotar.

TeleSur: Seis anos de guerra. Como está a Síria? Sabemos que o custo humano é incalculável?

Presidente Bachar al-Assad: O que mais dói em qualquer guerra são as perdas humanas, o sofrimento das famílias que perdem um pai, um filho, um marido, essas famílias foram afetadas para sempre. Nós sírios cultivamos laços familiares fortes e estreitos. Não há dor maior que a de perder um ente querido.

Quanto às demais perdas, claro está, as perdas econômicas são colossais, a infraestrutura erguida ao longo de 50 anos ou mais com mão de obra síria. Na Síria a infraestrutura não foi construída com mão de obra estrangeira, e temos as capacidades necessárias para reconstruí-la.

Igualmente, no plano econômico, o que temos é fruto do trabalho de sírios, porque há muito tempo não temos relações importantes no plano econômico com o ocidente.

Quando essa guerra chegar ao fim, tudo será reconstruído, não há problemas quanto a isso. Claro que exigirá tempo, mas não é impossível.

As perdas humanas, sim, são as perdas realmente dolorosas, essa a grande dor dos sírios hoje.

TeleSur: Dos 86 países da coalizão que ataca a Síria, alguns talvez participem da construção?

Presidente Bachar al-Assad: Não. Com certeza não. Em primeiro lugar, porque não querem que a Síria seja reconstruída. Mas não há dúvidas de que algumas empresas nos países que nos atacam, se virem que as coisas começam a andar, quero dizer, que a economia volta a andar e a reconstrução recomeça, como oportunistas que são, só interessados no dinheiro, estarão prontos a tentar vir à Síria para participar dos lucros da reconstrução, sem dúvida.

O povo sírio não aceitará. Nenhum país que tenha atacado o povo sírio e que tenha contribuído para devastar, destruir a Síria participará da reconstrução. Isso está decidido.

TeleSur: Como tem sido a vida ao longo desses 6 anos, nessa nação assediada?

Presidente Bachar al-Assad: Claro que a vida é dura. Todos os sírios formos afetados. Os terroristas destruíram a infraestrutura, em algumas áreas só há eletricidade durante 1 ou 2 horas e em outras absolutamente não há eletricidade. Há zonas sem eletricidade há dois, três anos, sem televisão, sem escolas para as crianças, sem clínicas nem hospitais, os doentes estão sem atendimento. Vivem na pré-história, por culpa dos terroristas. Há áreas sem água há anos, como aconteceu em Alepo… durante longos anos não houve água na cidade de Alepo. Em vários momentos beberam água sem purificação, cozinharam com água sem purificar. A vida foi tremendamente difícil.

TeleSur: Um dos alvos principais durante esses anos, foi o senhor, presidente Bachar al-Assad. Sentiu medo?

Presidente Bachar al-Assad: Quando se está em guerra, não se sente medo. Acho que é o que responderiam todos por aqui. Mas há a preocupação, com o destino da pátria. O que significaria a segurança pessoal, como cidadão, num país agredido e ameaçado. Ninguém estará jamais seguro enquanto persistir a ameaça contra a Síria.

Penso que o que sentimos de modo geral na Síria é preocupação pelo futuro da Síria mais que medo por nós mesmos. Os tiros e projéteis de morteiro caem em qualquer lugar, entram em qualquer casa. Nem por isso a vida parou na Síria. Há uma vontade de vida, muito mais forte que algum medo no sentido pessoal. Esse sentir, para mim, pessoalmente, como Presidente, advém do que o povo sente, não de mim mesmo. Não vivo isolado.

TeleSur: Os meios de comunicação ocidentais em todo o mundo distribuem muita propaganda contra o senhor. Será que estou sentado realmente diante daquele demônio que os jornais pintam?

Presidente Bachar al-Assad: Tem razão. Para o ocidente, o senhor está entrevistando o próprio demônio. É a propaganda ocidental atual.

Essa publicidade ocidental sempre aparece quando algum país, algum governo ou algum governante não se submete aos interesses do ocidente, se não trabalha exclusivamente a favor dos interesses ocidentais e contra os interesses de seu próprio povo. Sempre foi assim. São as exigências ocidentais colonialistas que sempre se repetiram ao longo da história.

Dizem que quem resiste a eles é mau, que mata gente boa. Ora… Rússia, Irã, todos os países nossos amigos nos apoiam não porque um ou outro governante nos apoie, mas porque o povo daqueles países está mais perto da verdade que o ocidente. E os sírios também apoiam nosso governo. Como é possível que os sírios apoiem seu governo, se o governo os estivesse mantando?

É só mais uma versão contraditória que só sobrevive na propaganda do ocidente. Por isso já não perdemos tempo com essas versões ocidentais que sempre, ao longo da história estiveram cheias de mentiras. Nisso não há novidade alguma.

TeleSur: O que a Síria faria para pôr fim a essa guerra, se estamos às portas da 6ª rodada de conversações em Genebra?

Presidente Bachar al-Assad: Temos falado de dois eixos.

O primeiro eixo consiste em lutar contra o terrorismo. Isso não se discute e não temos opção no trato com terroristas que não seja lutar contra eles.

O outro eixo é a parte política, que consiste em dois pontos: primeiro, o diálogo com todas as forças políticas sobre o futuro da Síria; o segundo consiste nas reconciliações locais, no sentido de que negociamos com os terroristas em cada vila ou cidade, tratando as questões caso a caso.

O objetivo da reconciliação é que eles deponham as armas e recebam um indulto do Estado, para assim retomarem o curso normal de suas vidas. Este eixo, esse tipo de negociação está sendo feita já há 3 ou 4 anos, obteve bons resultados e prossegue atualmente.

São os temas que podemos trabalhar com o objetivo de resolver a crise na Síria.

TeleSur: Daqui de onde estão, nesse país em guerra, como os senhores veem a situação na América Latina, particularmente na Venezuela, onde começaram a aparecer ações muito semelhantes às que fizeram crescer e eclodir o conflito na Síria?

Presidente Bachar al-Assad: É esperável que haja semelhantes, dado que o plano é o mesmo, e o executor é o mesmo: os EUA dirigem a orquestra, todos os demais países ocidentais e o coro que os acompanham.

A América do Sul em general e Venezuela em particular, foram quintal de despejo dos EUA durante décadas, quintal de onde os países ocidentais e principalmente os EUA, arrancavam o que quisessem, o que seus interesses econômicos mandassem, com a ação das grandes empresas norte-americanas transnacionais em cada um dos seus países. E os golpes de estado sucederam-se durante os anos 1960 e 1970, fossem golpes militares ou políticos, todos visavam a consolidar o controle dos EUA sobre os interesses dos povos da América Latina.

Mas ao longo dos últimos 20 anos, a América Latina livrou-se desse jugo e alcançou a autodeterminação, seus governos afinal começaram a poder defender os interesses do próprio povo. E, isso, os EUA absolutamente não aceitam. Por isso, agora se aproveitam do que está acontecendo pelo mundo, desde a revolução cor-de-laranja na Ucrânia até o último golpe ocorrido nesse país há vários anos. Aproveitam-se do que ocorre nos países árabes, na Líbia, na Síria, no Iêmen e em outros países, com o propósito de aplicar as mesmas ‘técnicas’ nos países latino-americanos. Começaram pela Venezuela, com o objetivo de derrubar o governo nacional legal. Farão o mesmo aos demais países da América Latina.

TeleSur: Há quem pense, especialmente os cidadãos comuns em toda a América Latina, que um cenário similar ao que se vê hoje na Síria poderia repetir-se na América Latina. Qual sua opinião?

Presidente Bachar al-Assad: Não tenho dúvidas disso. Já lhe disse que se o plano é o mesmo e o executor é o mesmo, é normal que o cenário resultante nos demais países atacados não apenas se assemelhe: ele será idêntico. Claro que alguns detalhes locais sempre variarão.

No início, diziam que as manifestações na Síria seriam pacíficas, mas ao ver que não se repetiam, ou que se mantinham pacíficas, trataram de infiltrar bandidos nas manifestações, para disparar contra os dois lados, contra a polícia e também contra os manifestantes, especificamente para produzir mortos; e começaram a ‘informar’ que o governo matava o próprio povo. Esse cenário repete-se em todo o mundo.

E se repetirá também na Venezuela. Por isso o povo venezuelano deve manter-se bem consciente de que há grande diferença entre fazer oposição a um governo e lutar contra os próprios interesses nacionais do país. Estar contra um governo e estar contra a Pátria são coisas muito diferentes.

Isso, por um lado. Por outro lado, nenhum país estrangeiro pode zelar pelos interesses da Venezuela, mais ou melhor que o povo da Venezuela. Não acreditem no Ocidente. O Ocidente não se interessa por direitos humanos nem pelos interesses dos países. O Ocidente só cuida dos interesses de uma parte da elite governante em outros países. Essa elite governante não é só política, inclui as empresas e seus interesses econômicos.

TeleSur: Falamos da América Latina, Venezuela e da Revolução Bolivariana da qual o senhor foi aliado empenhado. Que recordações o senhor guarda do falecido presidente Hugo Chávez?

Presidente Bachar al-Assad: O Presidente Chávez foi um nome importante para todo o mundo. Sempre que falo sobre América Latina recordo imediatamente o presidente Chávez e também o falecido líder revolucionário Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, duas importantes figuras que mudaram o rosto da América Latina.

Conheci, claro, pessoalmente o presidente Chávez, nos reunimos mais de uma vez, tive uma relação pessoal com o presidente Chávez, que nos visitou na Síria, e também o visitei na Venezuela. O presidente Chávez nos visitou duas vezes, eu só pude visitá-lo uma vez.

O presidente Chávez é desses que, quando o vemos pessoalmente já se sabe que é filho do povo, um homem que vive o sofrimento do povo que ele representa. Sempre que falava fazia referência ao povo da Venezuela. Em reuniões de chefes de Estado com funcionários de outros países, o seu primeiro pensamento era o que fazer para construir interesses comuns que viessem a beneficiar os venezuelanos. Um verdadeiro líder, homem de forte carisma e infinitamente sincero.

TeleSur: Chávez foi satanizado, e parece que agora chegou a vez do presidente Nicolás Maduro.

Presidente Bachar al-Assad: É normal, porque o presidente Maduro segue a mesma linha de autonomia nacional; como o presidente Maduro, prossegue na mesma linha nacional e de independência da Venezuela, e trabalhando para os cidadãos de seu país, é normal que seja agora o principal alvo dos EUA. É óbvio e ninguém deve se preocupar com isso.

TeleSur: Como o senhor, presidente Bachar al-Assad, vê o final desta guerra?

Presidente Bachar al-Assad: Se fosse possível superar a questão da interferência estrangeira na Síria, o problema se simplificaria muito. A maioria dos sírios estão cansados da guerra, desejam una solução e desejam voltar a viver com segurança e estabilidade. Há um diálogo entre nós, os sírios, há encontros, as pessoas se reúnem e convivem, quero dizer, não há qualquer barreira real que divida os sírios.

O problema é que cada vez que damos um passo rumo à solução e ao restabelecimento da estabilidade, as gangues terroristas recebem mais dinheiro e mais armas, com o objetivo de retomar a violência e inviabilizar qualquer solução. Por isso se pode dizer que a solução começa por suspender qualquer apoio enviado do exterior aos terroristas. É o primeiro passo.

Por nosso lado, na Síria, a via para restaurar a segurança será a reconciliação entre todos os sírios e indulto para o que aconteceu no passado, durante a guerra. O senhor pode ter certeza de que, quando isso for feito e o processo se completar, a Síria será muito mais forte que a Síria de antes da guerra.

TeleSur: O senhor está disposto a se reconciliar com os que se levantaram em armas contra o povo sírio?

Presidente Bachar al-Assad: Claro que sim. Já aconteceu em várias regiões do país. Das pessoas que já receberam indulto, alguns se incorporaram ao Exército Sírio, alguns caíram como mártires, outros voltaram à cidade onde viviam, em áreas que nós já controlamos. Para nós não há problema algum: a reconciliação é essencial para pôr fim a qualquer guerra. A Síria também caminha nessa direção.

TeleSur: Senhor Presidente, para encerrarmos nossa entrevista, tem alguma mensagem para a América Latina e o mundo?

Presidente Bachar al-Assad: Preservem a independência de seus países.

Nessa parte árabe do mundo, já celebramos a independência de mais de um país. Mas em alguns do países dessa região, a independência significou apenas a retirada de forças de ocupação. A verdadeira independência só acontece quando os povos adquirem o poder de decidir nacionalmente.

Para essa parte do mundo, a América Latina foi modelo de independência, quer dizer, o ocupante partiu, no caso de haver ocupação por tropas estrangeiras, mas ao mesmo tempo os países recuperaram o poder nacional para decidir, a abertura e a democracia. A América Latina deu ao mundo um modelo importante. Conservem esse modelo, defendam-no, porque muitos países que aspiram ao desenvolvimento, sobretudo os países do Terceiro Mundo, devem seguir o modelo já aplicado na América Latina.

[Fim da Transcrição]

Damasco, 28/4/2017, entrevista, vídeo (23″), à rede Telesur, Venezuela

Traduzido por vila Vudu


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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Palestras ou propinas? Um negócio milionário


Lula em palestra na Euro câmara (foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula)

O presidente Obama foi criticado por ter aceito receber 400 mil dólares de um banco de investimentos a título de propina serviços prestados. O pagamento de quantias inacreditáveis por uma ou meia dúzia de palestras é uma forma recorrente de acerto de contas pelos favores realizados durante o mandato presidencial. Uma constante democrática…

Incoerências?

Muitos artigos dos grandes veículos de comunicação mostram sua indignação por esta atitude de Obama. Os meros repórteres não compreendem o grosseiro jogo de cena feito pelos políticos. Estes são apenas marionetes do poder financeiro. Os vultuosos pagamentos são apenas mais um dominó na gigantesca rede de propina do setor bancário usurário, que atua em todas as esferas do poder, também no judiciário.



Depois de ter chamado os especuladores de “um bando de gatos gordos da Wall Street” ou ter dito ainda em 2009 que a crise foi “causada em parte pelas ações completamente irresponsáveis de Wall Street”, tudo não passou de um pequeno teatrinho para iludir mais uma vez a massa idiotizada.

Em 1804, Schiller escreveu com suas últimas forças uma grande obra e trouxe ao mundo um verso, um verso imortal sobre as decisões parlamentares e democráticas:

“O que é Maioria? Maioria é a falta de sentido,

Razoabilidade foi encontrada sempre em poucos…
Deve-se pesar os votos e não contá-los;
O Estado deve sucumbir, cedo ou tarde,
onde a Maioria vence e a ignorância decide.”

Ações recorrentes

Qualquer busca simples na internet já irá nos revelar altos pagamentos a ex-presidentes por apenas uma palestra. Em 2015, Hillary Clinton recebeu 200 mil dólares do Goldman Sachs para 3 palestras. Seu marido, Bill Clinton, ganhou em 2011 mais de 13 milhões de dólares em palestras, superando o faturamento do ano anterior em 25%!!

Já nosso querido ex-presidente Luis Inácio afirmou que ganhava 200 mil dólares por palestra. Nada mais justo para ouvir um poço inacreditável de sabedoria e detentor de mais de 27 títulos “doutor honoris causa”. Em depoimento ao MPF, Alexandrino Alencar afirmou que: 

“A Odebrecht criou as palestras de Lula como uma remuneração de propina”. 

...Alguém duvida?

Uma só podridão

Todos esses corruptos lacaios estão aí, no poder, há décadas. A grande mídia é totalmente conivente, pois o sistema financeiro assim exige.

A população tem seu rude instinto dominado por técnicas altamente sofisticadas de manipulação. O trabalho de esclarecimento nunca foi tão importante, uma luta desproporcional, David contra Golias.

E nada como mais um dia de luta para revigorar a alma e continuar denunciando as mentiras de Sião.

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